O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 31/03/2020
Desde o advento das mídias sociais, bem como a sua respectiva popularização, muitos aproveitaram-se destas ferramentas de modo a ter destaque, fama, dinheiro ou apenas influência no âmbito tratado, abordando assuntos diversos, relevantes ou não. No entanto, os riscos arcados, com a exposição dos jovens à gama de conteúdos disponíveis, são substanciais, seja pela subversão de caráter através da imposição da cultura de massas, produto da indústria cultural conceituada na Escola Frankfurt, seja por meio da alienação de mentes em formação. Nesse sentido, convém analisar-se as principais causas dos respectivos impactos.
É indubitável que a multiplicidade de conteúdos é fundamental para o favorecimento de um meio democrático, todavia, é ilusório crer que, na Internet em que se navega, o indivíduo está livre de manipulação. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se atualmente um período de liberdade utópica, já que o mundo globalizado não só possibilita novas formas de interação com o conhecimento, mas também abre portas para o controle do usuário. Por meio de mecanismos filtradores de conteúdos exibidos, aqueles que exploram os meios eletrônicos adotam uma falsa noção de realidade, ao assumir os conteúdos selecionados como únicos e universais, o que provoca uma distorção da verdade.
Ademais, a consequência de tal fato dentro do campo juvenil é ainda mais desastrosa. Ao ter em vista a maior fragilidade mental de crianças e adolescentes, estes apresentam concepções, ideias e noções em franco desenvolvimento, o que possibilita a fácil intervenção e alienação, visto a pequena bagagem cultural e falta de capacidade consistente de questionamento em frente ao que lhes é apresentado. Segundo o psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky, o desenvolvimento intelectual ocorre em função das interações sociais e condições de vida, o que explicita a forma com que os influenciadores digitais e seus respectivos conteúdos podem vir a modificar a mentalidade dos jovens, mesmo que sejam simples tendências. Ou seja, é muita responsabilidade de orientação centrada nas mãos de pessoas que na prática, não possuem este compromisso.
Logo, a fim de minimizar os impactos provocados, é necessário que o Ministério da Família e de Direitos Humanos imponha condições às mídias sociais mais utilizadas no país, por meio de projetos legislativos, a respeito do fornecimento da opção de restrição de tempo de uso de aplicativos e websites para menores de idade, concedendo a obrigatoriedade do cumprimento das normas, para a legalização do uso da ferramenta dentro do território nacional. Deste modo, sem desrespeitar as liberdades individuais, apenas se limita o excesso de consumo aos possíveis conteúdos nocivos dos “influencers”, sem impedir que estes também desempenhem e postem o que for de sua escolha.