O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 14/04/2020

Nesse século XXI, as redes sociais não estreitam só as relações pessoais como também as de empresas e consumidores. Nesse sentido, a inserção dos influenciadores digitais mostra-se um artifício eficaz para a divulgação das marcas. Entretanto, deve ter um limite nessa articulação, principalmente, quando junta-se um panorama de manipulação desse “marketing” com a existência de uma população, majoritariamente, com poucos agentes críticos, pois é o “gatilho” suficiente para impactar na formação desses jovens, o que vai de encontro com a autonomia dada aos cidadãos pela Constituição Federal.

A priori, o fato do estreitamento das relações e a facilidade de comunicação com as redes sociais, embora seja inovador já é antigo. Agora, a novidade, com isso, é o estreitamento entre lojas e consumidores e para isso, além de criar sites e aplicativos, elas inseriram os “blogueiros”, agentes para divulgar marcas e influenciar outras à adquirir, cujas, na maioria, são os jovens. O problema aparece quando essa divulgação começa a manipular comportamentos e impactar o processo formativo e educativo dessa faixa etária, a qual é, muitas vezes, vulnerável e passiva ao que ver ou escuta, pois, segundo o sociólogo Paulo Freire, a educação vigente é “bancária”, isto é, depositadora de conteúdos sem a contextualização necessária com a realidade para formar cidadãos autônomos, críticos e ativos em pensamento. Com isso, fica fácil para as empresas manipularem o consumo de “marionetes”.

Concomitantemente, se temos esse cenário de jovens com os seus processos formativos em crise, já que não são formados para filtrar as informações que chegam até eles, o trabalho do influenciador digital ganha espaço e eficácia e assim sua prática torna-se banalizada. Nesse contexto, segundo a filósofa Hannah Arendt, existe um “mal radical” que é configurado, nesse caso, no papel das empresas as quais almejam o lucro a qualquer custo, sobretudo o da manipulação social, cuja é feita, conscientemente, pelas empresas e o “mal banal” refletido na sociedade a qual compartilha, sem filtrar, o conteúdo recebido o que potencializa a alienação de outros jovens, que desaguará no “efeito em cascata”.

Diante disso, para que os influenciadores digitais não impactem no processo formativo dos jovens, cabe ao Ministério da Educação reformular o currículo escolar, implementando uma educação libertadora nos moldes paulofreirianos, para que a crise do processo educativo dos jovens possa ser finalizado e então poder ser formados jovens autônomos de si mesmo. Ademais, é tarefa do CONAR fiscalizar os blogueiros, por meio de plataformas na internet, e implementar multas às empresas responsáveis por propagação de conteúdo manipulador, para que os jovens possam consumir conscientes de sua necessidade.