O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 26/04/2020

Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, que segundo eles nivela por baixo as diferentes camadas intelectuais, utilizando-se dos canais de comunicação e dos programas oferecidos para passar a ideologia dominante adiante. Nesse sentido, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, os quais possuem milhões de seguidores em diversas redes sociais, principalmente Youtube, Instagram e Facebook. Dessa forma, é fundamental averiguar o conteúdo direcionado ao público, cada vez mais conectado a internet, a fim de evitar que impacte negativamente na formação dos jovens.

Em primeiro lugar, vale ressaltar o alcance populacional dos influenciadores que chega a milhões de seguidores, proporcionado pelas redes sociais. Pode-se utilizar como exemplo as irmãs kardashian, as quais atingem mais de 150 milhões de pessoas. Dito isso, inúmeras indústrias, a exemplo das cosméticas e digitais, utilizam desses famosos a fim de propagar os produtos e ideais de suas marcas. Contudo, devido a ausência de uma legislação que fiscalize esse ambiente publicitário, esse apresenta vários problemas como o incentivo ao uso de medicamentos e drogas, não sendo inusual influenciadores que promovam o uso de fármacos com fins estéticos. Esse panorama, além de perigoso, fortalece as ideologias de padrões estéticos e sociais prejudiciais à estabilidade emocional e psicológica da população juvenil hodierna.

Outrossim, é pertinente salientar em uma sociedade acometida pela depressão, que as redes sociais podem se tornar tanto válvulas de escape quanto agravantes à doença. Nesse sentido, deve-se analisar cada influenciador separadamente, a fim de compreender aqueles que são prejudiciais à saúde da população. Desse modo, destacam-se as blogueiras, que utilizam majoritariamente o Facebook e o Instagram, cujas publicações expõem uma realidade atípica de beleza e felicidade infinita, fazendo assim com que seus seguidores invejem e desejem uma vida diferente, agravando os problemas do chamado mal do século.

Fica claro, portanto, que os influenciadores ganharam, na era digital, um grande poder moldador de personalidade. A partir disso, cabe ao Governo fiscalizar constantemente, através do CONAR, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, a promoção de marcas e produtos que promovam formação de padrões e estereótipos elitistas ou segregadores, a fim de evitar a proliferação desses ideias antiquados na sociedade. Ademais, é fundamental a participação familiar e social com intuito de conservar a integridade emocional dos jovens, certificando-se que esses não se iludam com o mundo fictício exposto por influenciadores digitais, por meio de debates e palestras pedagógicas.