O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 12/09/2020

Com a III Revolução Industrial e a era informacional, a difusão de informações e conteúdos pela internet foi potencializada, fator que contribuiu na geração de comunidades virtuais, como Facebook e Instagram, na qual estabeleceu-se uma rede de influência mútua entre os usuários. Hodiernamente, nota-se o impacto dos chamados influenciadores digitais na formação dos jovens, contingente que mais se integra ao mundo digital. Nesse contexto, observa-se que, se por um lado essas conexões trazem benefícios para esse público, ela também pode propagar modelos sociais inalcançáveis para alguns.

Em primeiro plano, vê-se que é inegável o papel benéfico desempenhado pela velocidade com a qual a informação circula na rede. Nesse viés, percebe-se que o que antes era acessado apenas pelos jornais, hoje é amplamente disseminado por influenciadores digitais, a exemplo dos que abordam temas políticos, descomplicando assuntos complexos relativos a essa área e incentivando práticas democráticas, como petições online. Assim, tal atitude favorece o desenvolvimento de uma consciência cidadã nos jovens que, nesse caso, passam a ver a política como meio de promoção do bem comum, como pregava o filósofo Aristóteles.

Entretanto, é válido pontuar o caráter excludente e impositivo que permeia diversos conteúdos produzidos por tais influenciadores. Sob esse prisma, não é raro observar, nas redes sociais, a propagação de uma vida cercada por luxos, ampla aceitação social e o culto ao corpo esbelto, ideais que passam a ser vistos como modelos para os seguidores. Dessa forma, esses indivíduos, uma vez convencidos a seguir esse estilo de vida, acabam se alienando a essa mentalidade, mediante propagandas veiculadas pelos próprios blogueiros, os quais criam uma falsa necessidade de compra nos usuários, aos moldes da engrenagem da Indústria Cultural, amplamente criticadas pelos filósofos Adorno e Horkheimer. Logo, o usuário entra em um ciclo vicioso em nome de um modelo de vida idealizado.

Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar o problema. Destarte, cabe ao Ministério da Educação (MEC) criar um plano de ensino que proponha aulas conjuntas de educação digital, na qual professores de sociologia e informática devem orientar os alunos acerca da seleção de conteúdos saudáveis na internet, com o fito de evitar o acesso a perfis que preguem um estilo de vida inalcançável. Por outro lado, o MEC deve recrutar diversos influenciadores da área educativa, os quais, mediante subsídio governamental, passem a produzir mais conteúdos didáticos, no intuito ampliar o acesso à informação. Assim, observar-se-à uma era informacional mais salutar.