O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 26/04/2020
Na adolescência, período de grandes transformações tanto físicas quanto psicológicas, nossa capacidade de julgamento ainda não se encontra totalmente desenvolvida. Aproveitando-se dessa situação, não são poucas as empresas que, por meio dos chamados “influenciadores digitais”, fazem publicidade diretamente voltada aos mais jovens. Nas redes sociais dos criadores de conteúdo, é difícil distinguir o que é opinião sincera, desprovida de qualquer tipo de interesse financeiro, do que é simplesmente marketing. Assim, surge uma dúvida: quais devem ser os limites da atuação desses agentes?
Foi-se o tempo em que publicidade era sinônimo de anúncios em jornais e na televisão. Hoje em dia, o marketing está mais perto de nós do que nunca antes. Os influenciadores, contratados por grandes corporações, promovem os produtos destas para um público que muitas vezes sequer percebe estar sendo influenciado.
Dessa forma, não é errado dizer que a fronteira entre o que se entende por publicidade e o que é de fato preferência pessoal do criador de conteúdo caiu. Muitos jovens veem nessas pessoas verdadeiros ídolos, exemplos a serem seguidos. A lógica é a seguinte: se quem eu admiro possui determinado produto, eu também quero tê-lo. A “opinião” virou mercadoria.
Assim sendo, urge que o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (CONAR) exija que os influenciadores deixem claro o fato de as publicações terem ou não fins publicitários, por meio de advertências nas postagens em questão. Da mesma forma, o Ministério da Educação (MEC) deve alterar a Base Curricular Comum, dando mais ênfase, nas matérias de Filosofia e Sociologia, a questões como a formação do senso crítico. Só assim será possível uma relação mais saudável entre os influenciadores e a juventude.