O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 27/04/2020
Na obra “A Hora da Estrela”, em determinado momento, a personagem principal se fascina por um creme de beleza e na tentativa de manter consigo a promessa estampada no rótulo, come descomunalmente seu conteúdo. Não distante da literatura, muitos jovens passam por esse mesmo impasse ao compararem suas vidas e suas realidades com a “perfeição” exposta pelos “Influencers” nas mídias digitais. Nesse sentido, a influência destes atrapalham a formação daqueles no que tange à liberdade de escolha e à formação de suas próprias identidades.
Primeiramente, é necessário entender que os grupos imersos nas redes sociais são alienados pelos padrões de consumo dos usuários mais famosos. Segundo Debord, o mundo contemporâneo passa por uma sociedade de espetáculo cujo acúmulo de imagens exerce uma coerção sobre o homem ao retirar seu livre-arbítrio em suas compras. Sob tal ótica, os influenciadores assumem esse papel ao exporem e ditarem as formas de consumo, uma vez que ,caso algum produto seja usado por eles, muitos jovens sentem a necessidade de obtê-los, comprovando o pensamento do filósofo. Prova disso encontra-se na pesquisa Youpix cujos dados indicam o impacto desses protagonistas sob 90% os indivíduos de 18 à 25 anos. Assim, comprova-se a alienação desses frente a essa organização hodierna, pois suas escolham deixam de ser próprias e tornam-se as escolhas das massas.
Além disso, a parcela juvenil da sociedade também sofre com o esvaziamento de suas identidades pela necessidade da sensação de pertencimento a grupos sociais. Isso se ilustra nos pensamentos dos Cinistas, como Diógenes, os quais entendiam que os individuos deveriam contornar a busca por bens materiais e por inclusão em grupos para obter a felicidade. Entretanto, os jovens encontram-se aprisionados na dinâmica contrária ao almejarem obter os padrões expostos da vida glamourosa dos “Influencers”, a fim de sentirem-se incluídos nesse grupo. Isso é evidenciado, por exemplo, na alta demanda, por parte dessa parcela, por diversos produtos de tais profissionais mesmo estes sendo, muitas vezes, supérfluos. Assim, põe-se em cheque o ser em detrimento do ter, já que ao se espelhar demasiadamente no outro, perde-se quem realmente é.
Logo, em concomitância aos argumentos expostos, deve-se buscar a resolução de tais problemáticas. Para isso, a Escola, promovedora da emancipação do pensamento, deve, por meio do auxílio de pedagogos e sociólogos, ministrar aulas lúdicas, afim de estimular o pensamento e reflexão crítica sobre a necessidade de seguir tendências capitalistas advindas de redes sociais e sobre seu impacto na vida de cada indivíduo e impedir o continuísmo dessa problemática .Assim, torna-se possível notar o quão desnecessário é a busca pela padronização estampada nos produtos comidos por Macabéa.