O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 27/04/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita-se em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os influenciadores digitais na formação dos jovens torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela falta de empatia, seja pela influência midiática, o problema exige uma reflexão urgente.

Deve-se ressaltar, a priori, a busca pelo ganho individual, acima de tudo, e sua contribuição para a continuidade da problemática. De acordo com o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo gera inúmeras dificuldades para a sociedade. Nesse sentido, é possível observar que os influencers criam determinados padrões, como o modo de se vestir, a opinião sobre um assunto, os gêneros musicais e exigem que todos os ouvintes se encaixem nesse mesmo estilo de vida. Além disso, a prática afeta os adolescentes, especialmente, pois são mais influenciáveis e auxilia para a perpetuação desse quadro deletério. Desse modo, a união da sociedade é essencial para garantir o bem-estar coletivo e responsabilizar o marketing de influência presente nas redes sociais.

Ademais, é imperativo pontuar que os influenciadores digitais se tornaram um problema de grande dimensão, principalmente, devido à atuação dos meios midiáticos. Segundo Leandro Karnal, “Quem controla seu narciso tem vantagem sobre as outras pessoas”. Partindo desse pressuposto, percebe-se uma sociedade que super-ama a própria imagem e as estratégias de marketing sobressaem-se às necessidades da população, consequentemente, atrai a atenção de jovens que necessitam estar inseridos em um grupo e, por causa dessa carência, perdem a autonomia do pensamento e baseiam-se em opiniões alheias. Com isso, os canais de comunicação favorecem para que a problemática se perpetue entre o povo brasileiro, além de ser perceptível que esse problema é sustentado por fatores tanto sociais quanto midiáticos.

Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao MEC (Ministério da Educação), órgão competente para promover e administrar o sistema educacional brasileiro, em consonância com as escolas, inserir como tema transversal a influência de infantojuvenis em ambientes virtuais no currículo escolar, por meio de palestras, debates e capacitação de professores que irão fazer a abordagem do assunto, a fim de que cada indivíduo descubra o que realmente pensa e tem afinidade, sem que influencers digitais interfiram em decisões pessoais. Dessa forma, somente a partir dessas ações, notar-se-á uma melhora no cenário nacional e maior aproximação do ideário de Policarpo Quaresma.