O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 29/04/2020

Do Romantismo nacionalista de José de Alencar ao Modernismo explícito de Jorge Amado, vê-se a literatura a serviço das causas sociais. Realmente, escritores como esses retrataram como a sociedade pode ser uma barra de ferro que aprisiona o indivíduo. Nesse contexto, percebe-se, atualmente, um aprisionamento social relacionado aos impactos negativos de influenciadores digitais na formação dos jovens. Assim, é importante retratar um monopólio de ideias gerado por influenciadores e a alienação juvenil.

Em primeiro plano, é irrefutável evidenciar o controle de ideias por influenciadores digitais, que são passados para os seguidores. Análogo a Constituição Federal de 1988, os meios de comunicação não podem, direta ou indiretamente, serem objeto de monopólio pois trabalham como meio de leitura, estudo e entretenimento para a população. Todavia, a Constituição encontra-se desrespeitada por produtores de conteúdo, na forma em que, na realidade, grandes contas em redes sociais selecionam de uma maneira massificante o conteúdo exposto e direcionam ideias não imparciais para os jovens, funcionando como molde de futuras opiniões.

Em segundo plano, a massificação de conteúdos contribui para a alienação de ideias entre jovens. Sob essa ótica, vale ressaltar o autor americano Ray Bradbury, no livro ‘‘Fahrenheit 451’’, em que ele retrata um futuro distópico em que opiniões próprias são consideradas hedonistas e o pensamento crítico, importante para a manutenção da sociedade democrática, é suprimido. Acerca dessa lógica, a concentração de ideais por influenciadores digitais aproxima o jovem da sociedade injusta de Bradbury, na medida em que os conteúdos vistos online apresentam visões padronizadas para os mais jovens, estimulando-o à pensar sob uma esfera específica e selecionada, ocorrendo, assim, a propagação de uma opinião padrão por todos.

Portanto, fica evidente que medidas devem ser tomadas. Logo, o Estado brasileiro -principal responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de políticas públicas que irão impedir a formação de monopólios nos meios de comunicação, garantir um acesso dos cidadãos aos ambientes diversos do meio digital, com objetivo de que todos possam ter impactos positivos de influenciadores mais diversificados. Consequentemente, a manipulação de ideias para a população irá diminuir devido ao acesso mais plural na internet e o senso crítico será mais utilizado. Assim, o aprisionamento do brasileiro em barras poderá ser revertido.