O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 18/05/2020

Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja idéia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Nesse sentido, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, produtores de conteúdo para a internet, como o YouTube, Instagram e Facebook, que possuem milhões de seguidores, compostos predominantemente por um público juvenil. Dessa forma, é necessário analisar o impacto desses influenciadores na vida dos jovens brasileiros, que cada vez mais estão conectados às redes sociais.       Os influenciadores digitais conseguem muitas vezes modelar o comportamento da sociedade de forma natural, fazendo com que muitos queiram seguir suas tendências, assim muitas empresas prezam em investir nestas pessoas para divulgarem seus produtos. Entretanto muitos jovens acabam por se tornarem alvos fáceis no mundo do marketing deixando a ética de lado em nome do estímulo ao consumo. Segundo a pesquisa, 64% dos jovens de 18 a 34 anos já usaram influenciadores digitais como uma fonte para conhecer uma marca ou produto.

Ademais, é de extrema relevância citar os casos de atitudes preconceituosas e irreverentes de “youtubers”, como o influenciador Logan Paul, que fez piada ao mostrar uma pessoa morta em floresta no Japão, estas e outras situações podem prejudicar a construção do caráter dos jovens. Comportamentos como esse são inaceitáveis, pois reforçam estereótipos e distorcem a visão de mundo dos jovens, confirmando a ideia de Adorno, que a cultura de massa não apenas nos torna menos inteligentes, mas também incapazes de agir moralmente.

Logo, é evidente que os influenciadores digitais têm poder de persuadir e inspirar o comportamento dos jovens brasileiros. Por isso, cabe aos responsáveis orientarem e alertarem aos filhos sobre a manipulação que existe na mídia para estimular o consumo por meio da alienação das massas. Além disso, as plataformas digitais devem prevenir conteúdos inadequados, que possam afligir no pensamento ou comportamento do público alvo. Dessa maneira será possível desenvolver nos jovens uma opinião crítica e inteligência emocional que permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “indústria cultural”.