O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 17/05/2020

Introduzido no pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, “Aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação.”. A visão, embora correta, não é aplicada no cenário global, sobretudo no Brasil, posto que o panorama digital fugiu do controle daqueles que o consomem e, agora, servem como ferramenta de manipulação. Isso ocorre pela nova funcionalidade atribuída aos influenciadores digitais, àqueles que trabalham no meio virtual, de moldarem os pensamentos e poder de compra civil. Assim, hão de ser analisados tais fatores a fim de liquidar o capitalismo da nova forma de empreendimento da geração Z de maneira eficaz, evitando a manipulação virtual e, sobretudo, visando solucionar essa problemática.

Em um episódio da série britânica Black Mirror, um aplicativo pareava as pessoas com base no seu grau de validação social - o que tornava seu uso compulsivo; já que, para ser aceito e bem visto socialmente, o “app” precisava ser usado imperiosamente. Em pesquisa realizada pelo jornal Metrópoles, dados mostram que o patrocínio de grandes empresas a influenciadores geram um lucro de até 1 bilhão de reais às redes sociais. Assim, os usuários são inconscientemente induzidos a invejar a “vida perfeita” que lhes é mostrada nas redes, o que leva ao consumo dos mesmos produtos e conteúdos em busca de resultado semelhante.

Conforme o escritor George Orwell, “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.”. Aplicado no contexto de influência digital do século XXI, destaca-se o forte poder de atuação do sistema capitalista na geração Z e suas compulsoriedades, considerando que as grandes empresas, “marca”, são as responsáveis pelos patrocínios dos influencers, “mídia”, que, por sua vez, geram o sentimento de crédito e prestígio social, moldando um novo meio de compra e venda social. É imperioso destacar dados da empresa Youpix, que mostram como o meio digital gera um sentimento de necessidade e compulsão pela vida perfeita experienciada nas redes sociais na população cujo poder de compra é mínimo ou inexistente.

Depreende-se, portanto, a necessidade de controlar e minimizar os impactos causados pelos influenciadores digitais na sociedade. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação e a mídia trabalharem na implantação de propagandas televisivas e cibernéticas que conscientize os jovens ao uso consciente e a necessidade de posicionamento crítico perante ao conteúdo consumido. Ademais, é papel do Governo Federal trabalhar em sincrônico com os poderes Legislativo e Judiciário na aplicação de leis que limitem a publicidade direcionada, exijindo a transparência de influenciadores digitais. Quiçá, assim, tal diligência fará “jus”, deveras, àquilo que fora pregado pelo sociólogo Bourdieu. influenciadores digitais cujo papel e influência social delimitam, na geração Z. Quiçá, assim, tal diligência fará “jus”, deveras, àquilo que fora pregado pelo sociólogo francês Bourdieu. Legislativo e Judiciário na criação, aplicação e fiscalização de leis que limitem a publicidade direcionada e exijam a transparência de empresas e influenciadores digitais cujo papel e influência social delimitam, na geração Z. Quiçá, assim, tal diligência fará “jus”, deveras, àquilo que fora pregado pelo sociólogo francês Bourdieu.