O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 18/05/2020
A Industria Cultural, conceito modernista idealizado por Max Horkheimer, se baseia na alienação popular por meio da massificação das opiniões, uma vez que visa o estímulo do consumo exacerbado. De maneira similar, o marketing digital promovido pelos influencers propõe uma nova imposição de consumo baseada na difusão de opniões prontas. Nessa perspectiva, os influenciadores digitais tendem a impactar negativamente o público juvenil, na medida que sobrepujam a esfera econômica em detrimento do pensamento crítico. Além disso, o contraste entre a divulgação de uma vida supostamente perfeita pelos influencers e a realidade dos jovens que os acompanham é prejudicial, visto que essa disparidade está associada ao desenvolvimento de transtornos mentais.
Uma das macrotendências da contemporaneidade é a promoção de produtos em mídias sociais, protagonizada por figuras públicas dotadas de capacidade de divulgação em massa. Nesse contexto, os influenciadores persuadem uma extensa gama de seguidores a fim de abordar temas de caráter monetário. Tal situação relaciona-se com a teoria do determinismo econômico de Karl Marx, em que o sociólogo limita o homem a um ser econômico na medida que desconsidera seus aspectos sociais. O pensamento de Marx é refletido no e-commerce, posto que o comércio digital busca a padronização de opniões públicas, objetivando aumentar vendas. Assim sendo, influencers possuem caráter alienador, visto que não demonstram enfoque em estimular reflexões críticas acerca do que é exposto.
Além disso, de acordo com Émile Durkheim, o homem é produto das influências que a sociedade exerce sobre ele. Com base nesse conceito, a divulgação, por parte de influenciadores digitais, de uma vida idealizada constrói, nos jovens seguidores, uma visão utópica que não condiz com a realidade desse público. Por conseguinte, segundo pesquisas do Journal of Social and Clinical Psychology, a disparidade entre o ideal tocante ao modo de vida promovido pelos influencers e o cotidiano dos adolescentes que os acompanham desencadeia transtornos mentais, principalmente depressão e ansiedade. Porquanto, infere-se que o consumo excessivo desse conteúdo afeta o bem-estar juvenil.
Nessa conjuntura, o Ministério da Cidadania deve fomentar a criação de uma cultura digital que estimule reflexões críticas por meio de propagandas nas mídias sociais, com o efeito de valorizar o ser humano não só como ser ser econômico, mas também como social. Ademais, é mister que o Ministério da Saude estimule redução no tempo de consumo dos conteúdos produzidos por digital influencers, por intermédio da criação de um aplicativo. Nesse contexto, o objetivo é gerar relatórios semanais da atividade nas redes de forma individual, a fim de estipular uma rotina saudável de uso de mídia, visando diminuir a incidência de transtornos mentais na população jovem.