O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 18/05/2020
Em 1967, o pensador situacionista francês Guy Debord publicou seu livro “A Sociedade do Espetáculo”, no qual apresenta sua teoria de que, em uma sociedade controlada pelas tecnologias, a mídia realiza uma dominação ideológica nas pessoas por meio do uso da imagem. Tal quadro não é muito diferente na sociedade atual, na qual muitos jovens sofrem um certo domínio em suas decisões pelos chamados influenciadores digitais. Esses criadores de conteúdo atuam nas mídias sociais, criando um certo vínculo de proximidade com seu público, em geral formado por crianças e adolescentes. Porém, os influenciadores podem trazer impactos negativos na formação dos jovens no Brasil, tais quais a contribuição para o consumismo e a alienação.
Nesse contexto, de acordo com uma pesquisa feita em 2018 pela plataforma digital Youpix, 48% dos jovens brasileiros já realizaram uma compra baseando em dicas e impressões compartilhadas por influenciadores digitais. Desse modo, percebe-se o grande poder que essas pessoas têm de influenciar a ação da compra pelas pessoas. Porém, muitos desses produtos são caros ou sua produção agride o meio ambiente, mas os jovens compram mesmo assim, não havendo uma reflexão consciente sobre tal decisão, o que pode formar uma geração de consumistas, na qual o “ter” e mais importante que o “ser”.
Outrossim, diversos influenciadores digitais transmitem informações ou opiniões nas mídias e muitos dos seguidores acabam vendo aquilo como verdade absoluta, tornando-se alienados. Tal alienação pode gerar a formação de uma bolha social pelos jovens, os quais se fecham para opiniões alheias, o que pode gerar um discurso de ódio. Portanto, os criadores de conteúdo, muitas vezes por conta do tipo de discurso, acabam contribuindo com a formação de jovens alienados com a própria realidade.
Infere-se, portanto que os criadores de conteúdo, com o objetivo de formar jovens mais conscientes em relação ao poder de compra, devem abordar tal assunto em suas redes sociais e se mostrarem um exemplo, por meio da escolha de produtos e marcas que demonstrem uma escolha consciente e que aborde questões globais e sociais. Ademais, visando diminuir a alienação dos jovens, o Ministério da Economia deve regulamentar e estabelecer os direitos e responsabilidades da profissão de influenciador digital, por meio da criação de um código de ética desse profissional.