O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/05/2020
O poder da mídia digital tem aumentado nas últimas décadas, fomentando a parceria entre empresas e influenciadores digitais. Entretanto, em abril de 2020, a influenciadora Gabriela Pugliesi promoveu uma festa durante a pandemia da covid-19, demonstrando o descaso de parte dos influenciadores com o bem estar de seus seguidores. Nessa perspectiva, a influência dessas pessoas na formação, principalmente de jovens, traz impactos negativos aos seguidores a exemplo da alienação, bem como do consumismo.
A alienação dos seguidores mostra-se perigosa uma vez que ela é um reflexo da devoção aos seus influenciadores. Nesse cenário, uma trasmissão ao vivo entre a cantora Anitta e a advogada Gabriela Prioli evidenciou a falta de consciência política da cantora ao não demarcar a diferença na tripartição dos Poderes. Acerca dessa problemática, uma pesquisa do TSE mostra redução de 12,5% dos eleitores entre 16 e 17 anos e aumento de 41% entre os que estão no exterior, entre 2014 e 2018. Tal quadro revela um processo de aculturação política que vêm ocorrendo no país nos últimos anos, no qual a política é desvalorizada entre os jovens brasileiros e os seus ícones.
Ademais, a alta quantidade de marcas promovidas pelos influenciadores em constantes patrocínios impulsiona o consumo exacerbado. Nessa perspectiva, o sociólogo Jean Baudrillard afirma que o consumo é uma função social de prestígio e de distribuição hierárquica, o que demonstra a o intuito dos seguidores de se equipararem aos seus ícones por meio dos produtos apresentados. A respeito dessa questão a plataforma Youpix divulgou uma pesquisa na qual 90% dos jovens são influenciados por patrocínios e desses, 48% foram motivados a fechar uma compra. Dessa forma, percebe-se a crescente onda consumista que tem envolvido a juventude, resultado de uma busca incessante pela realidade virtual apresentada pelos digital influencers.
Infere-se, portanto, a presença de atitudes danosas aos jovens no âmbito dos meios digitais. Afim de sanar essa problemática, faz-se necessário que o MEC inseria na grade curricular, programas de ética política e também educação financeira, devendo ser implantado pelas secretarias estaduais e municipais. Dessa forma, será possível desenvolver uma consciência política além de possibilitar um consumo consciente e uma melhor organização financeira na vida dos jovens. Sendo assim, essas medidas possibilitarão uma relação mais saudável entre influenciador e influenciado.