O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 16/05/2020

Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Assim, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, que produzem conteúdo para o YouTube, Instagram e Facebook e possuem milhões de seguidores. No contexto atual, os conteúdos produzidos atingem predominantemente um público jovem. Nesse âmbito, é importante analisar o impacto desses influenciadores na vida dos jovens brasileiros, cada vez mais conectados às redes sociais, além disso, muitos deles têm mais influência do que apresentadores de TV,ou outros meios capazes de passarem uma informação articulada.

Contudo, as empresas estão investindo nos influenciadores digitais para divulgar seus produtos, devido ao grande número de seguidores, que se aproximam aos mesmos, despertando a vontade de acompanhar as tendências de moda. Além disso, há atitudes preconceituosas de “youtubers”, por exemplo, o Júlio Cocielo, cujas piadas foram consideradas racistas e repercutiram na mídia. No entanto, esses comportamentos são inaceitáveis, pois podem contribuir para a construção do caráter do jovem sob alicerces frágeis, confirmando a ideia de Adorno, que diz que a cultura de massa não apenas nos torna menos inteligentes, mas também incapazes de agir moralmente.

Decerto, pode-se observar que os jovens já não leem mais jornais, não vão ao cinema, não assistem os programas de TV, pois as redes sociais os dominam. Entretanto, os influenciadores digitais contribuem para o afastamento do mundo real e que fiquem mais antenados no mundo digital. Dessa forma, os influenciadores trazem novas marcas e elementos capazes de direcionar e controlar uma pessoa a uma compra de certo produto, segundo o filósofo George Orwell “A massa mantém a marca,a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”.

É evidente que os influenciadores digitais têm poder de persuadir e inspirar o comportamento dos jovens brasileiros, sendo um grande desafio no Brasil. Diante disso, cabe ao Governo impor às plataformas digitais, a passar pela revisão do conteúdo publicado, para que as plataformas tenham a capacidade de excluir as publicações e banir os usuários que incitarem o ódio, a violência e o preconceito, impedindo a exposição dos jovens a qualquer tipo de publicação que afete construção de seu caráter. Em suma, cabe também aos pais e familiares verificarem o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas onlines e alertar os filhos sobre a manipulação que existe na mídia. Portanto, espera-se com isso desenvolver nos jovens uma inteligência emocional que permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “indústria cultural”.