O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 18/05/2020

O advento da internet proporcionou um novo estilo de vida às pessoas, possibilitando que tornassem-se mais conectadas. Nesse novo cenário, surgiram novas profissões, tais como os influenciadores digitais, pessoas com alto alcance em seus perfis nas redes sociais e que influenciam na vida de milhares, sobretudo os jovens. Nessa perspectiva, é necessário analisar o impacto desses agentes na população juvenil, pois sua influência vai desde o incentivo a comprar determinado produto, bem como na pressão por obter uma vida que eles vendem como perfeita.

Com a visibilidade que os influenciadores vieram ganhando ao longo dos anos, criou-se uma nova estratégia de marketing por parte das marcas, que viram nessa nova profissão uma forma de divulgar  seus produtos. Segundo a pesquisa feita pela revista Exame em 2018, 74% dos jovens compram de acordo com a indicação desses influenciadores e , muitas vezes, compram coisas que não precisam, cegados pelo consumismo impulsionado pelos digital influencers. Dessa forma, percebe-se a necessidade de estimular-se o pensamento crítico desses jovens e conscientizá-los sobre os gastos excessivos e supérfluos.

Cabe ressaltar ainda que esse fenômeno de influência não é de agora. No século XIX, os romances de folhetim influenciavam a vida de todos no país, que tentavam atingir o glamour da vida da elite carioca representada nos livros. Da mesma forma, hodiernamente, os adolescentes e jovens tentam atingir a vida aparentemente perfeita que os influencers exibem. De acordo com pesquisa realizada em 2015 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,8% dos jovens brasileiros sofriam de depressão e ansiedade, problemas em grande parte causados pela frustração de não conseguirem atingir o padrão de vida e felicidade que assistem serem divulgados pelos influenciadores na internet.

Nessa conjuntura, fazem-se necessárias  a criação de campanhas de conscientização pelo Ministério da família em parceria com o Ministério de comunicação, que sejam divulgadas pelas próprias redes sociais e que instiguem os jovens a terem pensamento crítico, afim de compreenderem que não necessitam de todos os produtos divulgados pelos influenciadores. Ademais, é de extrema necessidade que o Ministério da saúde, em conjunto com as secretarias de saúde e educação de cada estado, promovam rodas de conversa e sessões de terapia individuais, ou em grupo, em escolas e universidades da rede pública, afim de fornecer apoio psicológico aos jovens dessas instituições.