O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 18/05/2020
Desde a criação da Internet na década de 70, é perceptível um processo de popularização desse serviço, logo esse fator passou a ser um elemento comum na sociedade. Nesse cenário, os influenciadores digitais ganham um grande papel, uma vez que interferem na vida de milhões de pessoas. Entretanto, essa relevância pode tornar-se prejudicial, tendo em vista que esse setor causa diversos impactos negativos no formação dos jovens, como o estímulo ao consumismo e o processo de alienação com a adoção de opniões prontas pelos usuários.
Durante o Governo Nazista Alemão, houve, por meio da utilização da mídia, uma forte manipulação ideológica da sociedade. Nesse contexto, os indivíduos eram direcionados a adotarem comportamentos que atendessem aos interesses do sistema, como, por exemplo, financiar a guerra. De forma análoga, percebe-se uma situação de controle sobre o pensamento social dos usuários nas redes sociais com o incentivo ao consumismo, a fim do benefício financeiro dos influenciadores, por intermédio de propagandas de produtos, sem a devida preocupação com a condição dos internautas. Por conseguinte, os seguidores, muitas vezes, adotam um estilo de vida que não condiz com sua realidade financeira, em busca de se aparecer com seu ídolo, causando prejuízos econômicos.
Além disso, é perceptível um forte processo de adoção de opniões rápidas e prontas dos influenciadores, por parte dos usuários. A título de exemplo, segundo o influenciador Arthur do Val, os YouTubers são mais influentes politicamente que os próprios políticos no Brasil. Nessa perspectiva, é notório que essa situação é consequência da falta de análise, baseado no pensamento crítico, dos posicionamentos difundidos pelos “ influencers” . Ademais, esse princípio pode ser observado na teoria da indústria cultural da Escola de Frankfurt, a qual se trata de uma constante produção de cultura massificada e rasa com o objetivo de alienar e atrofiar o desenvolvimento de um pensamento crítico. Dessa forma, os indivíduos são levados a um ciclo de inércia, no qual continuam sendo reféns de posicionamentos alheios, por acessarem um conteúdo que aprisiona a sua capacidade crítica.
Infere-se, pois, que é essencial o fortalecimento da Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, pelo Governo Federal, por meio da contratação de mais funcionários, por intermédio de concursos públicos, a fim de massificar o número de análises de publicações caracterizadas como manipuladoras. Outrossim, o Ministério da Educação deve realizar um maior desenvolvimento do pensamento crítico nos alunos, com a adaptação da BNCC, determinando esse conteúdo como interdisciplinar. Nesse cenário, haverá a maior segurança online nas redes sociais, evitando problemas como o consumismo exagerado, além do desenvolvimento da capacidade crítica da população.