O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 18/05/2020

Na obra “A Sociedade do Espetáculo”, do pensador francês Guy Debord, o espetáculo é caracterizado pelo conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens. Assim, o fenômeno que dá título ao livro é definido pela interdependência entre as relações sociais e as de consumo de mercadorias, isto é, a correlação do campo visual da comunicação, exemplificado pelo marketing, e do processo de acúmulo de capital. Dessa forma, a nova fase digital da publicidade, característica do capitalismo pós-moderno, controla como acontecem as interações entre as personalidades da mídia e seus seguidores, causando diversos impactos na formação desses, como a alienação e o consumismo.

Os influenciadores digitais funcionam como uma referência para muitos jovens, atuando como uma autoridade em variados assuntos e constantemente ditando comportamentos. Contudo, a maioria dos blogueiros expõe ao público um modo de vida desprovido de problemas e deslocado da realidade, sem atentar à dimensão da influência que exercem, o que origina uma geração de adolescentes e adultos alienados, incapazes de contemplar narrativas e problemáticas mais complexas.

Ademais, a ostentação de um estilo de vida fútil, baseado na romantização do consumo exacerbado, molda o pensamento do recorte demográfico que acompanha essa classe de influenciadores. Nesse sentido, segundo o conceito de Indústria Cultural, dos sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, esse setor lucra com a padronização e imposição de interesses à massa. Sendo assim, essas pessoas agem como um canal de propagação de ideias e produtos, para potencializar a demanda das empresas, sem necessariamente seguir um código ético.

Portanto, os blogueiros devem se comprometer a respeitar e honrar a responsabilidade social dessa atividade, promovendo a discussão de pautas sociais importantes e o engajamento político em seus perfis na internet, com o objetivo de educar os jovens para que sejam mais conscientes de suas ações, bem como do impacto dessas no coletivo. Além disso, é necessário que o Ministério da Economia regulamente os direitos e deveres dessa profissão, determinando seus limites éticos e legais de atuação, a fim de estabelecer uma maior transparência acerca das práticas dessas pessoas.