O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 18/05/2020
Durante a primeira metade do século XX, os sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer desenvolveram o conceito de “Indústria Cultural”, referindo-se à ideia de produção em massa no meio artístico e cultural, de modo que a produção favorecesse os interesses políticos e econômicos de uma elite. Apesar da teoria ser publicada em 1944, ainda pode ser usada para explicar muitos fenômenos culturais da atualidade, como os influenciadores digitais, os quais detém um papel importante na vida dos jovens, e acabam impactando negativamente na sua formação, fomentando, muitas vezes, o consumismo e a manipulação na vida pública.
Ao navegar na internet, uma das coisas mais perceptíveis é a poluição visual causada pelo excesso de anúncios comerciais em sites e aplicativos. No entanto, nos últimos anos, os influenciadores digitais tomaram a frente no que diz respeito à publicidade na web, fazendo parcerias com inúmeras marcas e produzindo, principalmente, vídeos que incentivem a compra de diversos produtos e serviços. Com essa influência, várias pessoas acabam seguindo essas indicações, muitas vezes tentando compulsivamente alguma satisfação em se assemelhar com seus ídolos, como relata a economista Waleska Ferreira em uma entrevista ao site Medium em 2018: “os influenciadores digitais promovem a expansão de mercados por incentivar a demanda de produtos, principalmente entre os jovens”.
Além disso, outro grande impacto causado pelos influenciadores digitais é a manipulação da vida pública e dos posicionamentos do seu público. Nas eleições de 2018, o Estado de São Paulo teve Kim Kataguiri e Arthur do Val eleitos como deputados federal e estadual, respectivamente. Isso se deve principalmente à atividade realizada por ambos na internet, por meio do das mídias sociais do grupo Movimento Brasil Livre. A partir disso, pode-se notar a influência causada por pessoas que possuem um público virtual no posicionamento político dos seus seguidores, fazendo com que votem em candidatos e tomem atitudes públicas simpatizantes a sua opinião.
Portanto, pode-se destacar o incentivo ao consumismo e a manipulação do posicionamento político como dois dos principais impactos causados pelos influenciadores na formação dos jovens. Para que esse quadro se reverta, é preciso que o Ministério da Educação promova a realização de palestras a alunos do Ensino Médio e propagandas nas mídias sociais alertando sobre as mazelas do consumismo e incentivando iniciativas como o Buying Nothing Day, com o objetivo de diminuir o consumo desenfreado. Ademais, o Ministério da Cidadania deve promover campanhas nas mídias sociais combatendo a manipulação política e incentivando que a população não siga cegamente algum influenciador, mas desenvolva mais senso crítico, evitando assim, uma maior alienação pública.