O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 18/05/2020

O sociólogo Guy Debord, explica o termo sociedade do espetáculo , o qual a vida e as relações são pautadas por representações imagéticas. Hodiernamente, diferente dos heróis, cujo prestígio se dava pelos feitos, as celebridades contemporâneas como digitais influencies tem sua imagem criada pela mídia ou marca associada a um público alvo, em especial os jovens. Nessa ótica, por meio da espetacularizacão do trivial via “stories” no Instagram, Facebook ou YouTube, tais figuras são assemelhadas a ídolos por seus seguidores, os quais são vistos como um potencial consumidor. Entretanto, essa influencia sobre os jovens pode impactar no seu poder de escolha e na formação de sua personalidade de modo negativo.

No episódio Quinze milhões de méritos da série Black Mirror, mostra que cada vez mais a ficção se aproxima da realidade pela insistência de uma publicidade quase onisciente, pois a mídia utiliza a imagem de influencies para oferecer produtos, de modo menos invasivo. Com isso, a tendência é que a gente não tenha mais consciência do que é uma ação publicitária , porque ela chega mais amigável e personalizada. Consequentemente, os jovens tem seu consumo influenciado pelas celebridades do ciberespaço, já que confiam no que dizem. Nessa nevoa de informações ,os seguidores não sabem distinguir que é fato ou uma “publi” da marca tornando-se alienados.

Outrossim, como afirma Adorno e Horkheimer, a arte se torna uma arma de influência. Nessa lógica, os influencies rendem-se aos mecanismos da Industria Cultural e através da diversão e entretenimento dominam o receptor de tal maneira que possa moldar sua personalidade tanto para o bem ou mal. Análogo a isso, é o massacre na escola em Suzano (2019), onde uma dupla de jovens assassinaram e feriram alunos pela influência de games violentos. Nesse contexto, nota-se o quanto uma referencia social pode mudar o caráter e valores morais dos jovens dependendo do que lhe é absorvido.

Portanto, ações são necessárias para atenuar os impactos abordados. A priori, urge o Ministério de Educação e Cultura( MEC) em sinergia com Filósofos e Sociólogos e mídia, para debater tal questão com intuito de criar um programa, por meio de verbas governamentais, que incite a consciência de senso crítico, no que tange a escolha de produtos pela aparência, a fim de evitar que os jovens sejam alienados. Ademais, cabe a família ensinar os filhos desde a infância a fazer curadoria de informações, a fim auxiliá-lo no seu desenvolvimento, com escopo de torna-se um cidadāo de bem com base nos princípios morais e éticos.