O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 19/05/2020

No ano de 1944, os filósofos alemães Horkheimer e Adorno criaram o conceito da “indústria Cultural”, cuja concepção se baseia na estandardização de valores disseminados pelos meios de comunicação. Sob esse viés, estão inseridos na atual Constituição brasileira os influenciadores digitais, responsáveis pela produção de conteúdo para variadas redes midiáticas, a exemplo do Facebook e Instagram, que possuem muitos seguidores, compostos em sua maioria por um público jovem. Dessa forma, é primordial analisar os impactos causados pelos influenciadores na formação juvenil, como a manipulação comportamental e alienação para um modo de vida consumista, para que possam ser combatidos.

Primeiramente, é válido destacar que atitudes de cunho machista ou homofóbico, por exemplo, corroboram na construção da identidade juvenil sob alicerces frágeis. A título de exemplo, o youtuber Júlio Cocielo se envolveu em uma polêmica após postar no Twitter um comentário racista sobre o jogador de futebol negro Mbappé, o que acabou sendo repercutido negativamente nas redes sociais. Nesse sentido, a prática de atitudes como essa devem ser repudiadas, pois incentivam estereótipos preconceituosos e alteram a visão do mundo dos jovens, confirmando a concepção de Horkheimer, que a cultura de massa torna os jovens mais suscetíveis a incapacidade intelectual de ação e a manipulação comportamental.

Por conseguinte, ciente do poder dos influenciadores digitais, diversas empresas do ramo tecnológico investem nesses famosos para difundir seus produtos, em decorrência da capacidade que eles possuem de moldar atitudes, uma vez que interagem espontaneamente com seus seguidores e provocam nestes a vontade de acompanhar estilos de vida e moda tendenciosa. Nesse sentido, isso é evidente pelo grande número de publicidade que essas celebridades realizam, porém os pais devem orientar os filhos para não serem vítimas dessa estratégia de marketing, que - muitas vezes - está atrelada ao modelo social consumista em detrimento da ética e da razão.

Portanto, é preciso que pais e influenciadores, trabalhem juntos, sempre ressaltando suas opiniões individuais e preservando uma postura reflexiva e crítico, visando desestimular a manipulação comportamental feitas por personalidades digitais em jovens; e os pais devem ensinar aos seus filhos a importância de manterem a neutralidade aos conteúdos expostos a estes, por meio de debates e exemplos concretos. Ademais, é preciso que, por meio da troca de ideias e debates, os influenciadores reforcem os perigos do materialismo exagerado e alternativas de consumo sustentável, para reduzir a alienação consumista infantil. Assim, o impasse seria amenizado, afastado da “Indústria Cultural”.