O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 23/05/2020
“Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação”. A frase é de Bela Gil, chef, nutricionista que possui um canal de comunicação através do youtube: Canal da Bela. Tal destaque, dado por esses profissionais gera muita influência no desenvolvimento dos jovens, principalmente, quando relacionados ao mercado de propagandas. Nesse sentido, em um contexto em que discursos e campanhas comerciais estão associadas, parecem até aceitáveis, mas não inteligente, um vez que a alienação, neste cenário, surge como um dos efeitos, o menor.
Em primeiro lugar, é importante analisar o sucesso de conhecer as novidades do mercado por meio dos influenciadores. Como já enfoca, vitima da aceleração tecnológica, a sociedade consome a maioria das mercadorias por causa dos anúncios em canais digitais. Prova disso, em 2017, segundo o jornal Metrópoles digital, o Instagram contabilizou quase 13 milhões de postagens de influenciadores que foram patrocinados por marcas. Este trabalho, torna de certa forma mais atrativos os produtos, visto que a maioria estão “camuflados” em fotos, na qual se ganha roupas, sapatos e até viagens. Diante desse fator, surgem diversas consequências que evidenciam ainda mais essa característica publicitária.
Dentre esses efeitos, o que parece se destacar mais é a alienação. Sabe-se, porém, que essa interferência é apenas o início de uma variedade de problemas que, em conjunto, podem prejudicar ainda mais o indivíduo. Adaptando a ideia de customização do mundo do Doutor Cristiano Nabuco, que é Coordenador do Núcleo de Dependências Tecnológicas da USP, parece que, hoje, nas redes sociais existe uma ideia de mudar a realidade por filtros, recortes e mentiras. O mais preocupante, entretanto, são os frutos desse problema: que são os desequilíbrios psicológicos, como a dismorfia corporal, doença mental que envolve um foco obsessivo com defeitos que a própria pessoa considera ter em sua aparência, que abre caminho para ansiedade, depressão e outras consequências psiquiátricas. Percebe-se, então, certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esses problemas e efeitos.
Torna-se evidente, portanto, que há impactos dos influenciadores digitais na formação dos jovens e uma necessidade de tratar tal dificuldade, de modo que as suas sequelas sejam menores. É lícito supor, no âmbito de reeducação digital, as escolas com parcerias de faculdades públicas e privadas da graduação de psicologia terão um papel fundamental, com palestras de professores psicólogos e psiquiatras e até aulas de psicologia educacional, a fim de começar a tratar o problema desde a base, com conscientização. A mídia também pode trabalhar a valorização ao ministrar educação digital por meio de conversas, debates e campanhas. Só assim, tratar causas e minimizar efeitos, será possível enxergar nos influenciadores digitais, de fato, um discurso transformador.