O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 20/05/2020

Em 2020, o programa televisivo “Big Brother Brasil”, transmitido em rede nacional, contou com a participação de vários influenciadores digitais, como o youtuber Pyong Lee e a blogueira e youtuber Bianca Andrade. Dado que essa edição do programa superou recordes de audiência e faturou altos valores com publicidade, nota-se que, na atualidade brasileira, os influentes do meio digital, além de fazerem muito sucesso, possuem grande poder de persuasão entre os indivíduos. Porém, nem todas as atitudes dos influenciadores têm reflexo positivo na vida da sociedade, muitas podem provocar implicações negativas, sobretudo, na vida e formação dos jovens. Portanto, tal situação configura um problema que deve ser tratado urgentemente.

Em primeira análise, é fundamental compreender como o processo de influência digital ocorre. Conforme Max Weber, sociólogo alemão, o conceito de ação social define-se por toda ação dotada de sentido, capaz de direcionar comportamentos e atitudes. Sob esse prisma, quando um influente do âmbito digital, publica uma imagem em suas redes sociais, na qual incentiva o uso de algum produto, esse está realizando uma ação social, visto que seu intuito é influenciar o espectador a consumir a mercadoria. Logo, é evidente que o influenciador digital, já que exerce uma ação social ao fazer seu trabalho, pode induzir a criança ou adolescente a ter atitudes inadequadas e ao consumo de produtos e conteúdos prejudiciais à sua saúde e segurança, o que afeta gravemente o seu desenvolvimento.

À luz dessas evidências, a influência negativa dos persuasores digitais sob os jovens traz consequências alarmantes. Como exemplo, tem-se o surgimento da ortorexia, transtorno alimentar em que o indivíduo fica obcecado por dietas e práticas saudáveis. Em vista da exposição massiva da rotina e alimentação sadias por parte das blogueiras e influenciadoras fitness, o seu público, que é instigado a replicar o comportamento dessas, acaba por ficar obcecado por dietas benéficas à saúde, e, desse jeito, a doença surge. Assim, infere-se que os atos dessas influenciadoras resultaram no aparecimento de uma enfermidade, que pode facilmente acometer adolescentes.

Destarte, não há dúvidas de que os influenciadores digitais podem implicar negativamente na formação dos jovens, a depender da informação transmitida. Para prevenir tais danos, é essencial que as Escolas, por meio de palestras, mostrem aos alunos como um influente digital concita seus espectadores, com o fito de alertá-los sobre as estratégias de persuasão e incentivar o exercício do senso crítico sobre o contido na web. Ademais, as famílias podem atentar quanto aos influentes que os filhos acompanham, a fim de avaliar se o que é exibido pode ser danoso à formação desses. Dessa maneira, os riscos de ocorrência desses problemas serão atenuados.