O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 25/05/2020
Felipe Neto, uma das maiores figuras da internet no Brasil, postou um vídeo em suas redes sociais, em Maio de 2020, afirmando que influenciador digital que não se manifesta politicamente é cúmplice de um regime fascista, ao falar sobre o Governo de Jair Bolsonaro. Sob essa, ótica, Neto trouxe uma temática muito importante ao questionar a falta de posicionamento dos “Digital Influencers”: o impacto que estes podem ter na formação dos jovens brasileiros. Tais impactos se pautam na influência e mudança de comportamento, assim como no aumento do consumismo.
Constata-se, a princípio, que os influenciadores atuam, com veemência, na mudança comportamental dos jovens, o que pode atrapalhar sua formação como cidadão. Nesse sentido, os digitais influencers, constantemente, compartilham uma vida perfeita, que vai do uso de dietas alimentícios revolucionárias e viagens ao redor do mundo, mostrando uma condição plena e boêmia de suas vidas. No entanto, consequentemente, esse compartilhamento pode acabar moldando o comportamento dos jovens, como a criação de estereótipos a serem seguidos, que, na maioria das vezes, pode acarretar malefícios à saúde. Tal situação corrobora a ideia de Pierre Bourdie, que disserta que a sociedade possui padrões que são impostos e naturalizados, e podem moldar o comportamento e personalidades da sociedade.
Outrossim, somado ao supracitado, os influenciadores digitais podem ainda atuar no aumento da cultura consumista brasileira. Nesse contexto, o filósofo coreano Byung Chul Han afirmou que o consumo apresenta-se como forma de aliviar as inquietações e alternativa para uma felicidade imediata. Sob esse viés, as empresas usam os influenciadores, que já tem o potencial de moldar vontades, para divulgarem marcas e produtos para seus seguidores. Com base nisso, os jovens, ao tentar se assemelhar com seus ídolos, vão aderindo esses produtos, mesmo que não haja utilidade para eles. Desse modo, o culto ao consumo se torna constante, assim como os lucros das empresas.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas sejam tomadas para obliterar os impactos que os influenciadores têm sobre a vida dos jovens. Para isso, cabe ao Ministério da Educação desmistificar a contestar os padrões impostos pelas mídias sociais, por intermédio da intensificação de aulas de Sociologia e Filosofia, que irão, mediantes o uso de documentários, artigos e filmes, salientar a forma como a internet pode mudar o comportamento juvenil, a fim de advertir sobre os seus perigos e acabar com o problema. Ademais, o Estado deve, ainda, atenuar os alto consumo oriundo da seara digital, por meio da criação de um programa televiso denominado “Detox Digital”, o qual irá, com a presença de influenciadores famosos, como o Filipe Neto, mostrar as mentiras por trás das propagandas desses influenciadores, a fim de coibir de vez essa problemática.