O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 26/05/2020

Com o advento da Internet e sua ampla propagação, os indivíduos passaram a estar presentes de forma veemente no mundo digital. Nesse contexto, os criadores e divulgadores de conteúdo surgiram, tornaram-se numerosos e, ao longo do tempo, mais influentes. Sabe-se que, por terem nascido em uma época já consolidada e integrada da rede, os jovens estão mais conectados e acabam sendo mais afetados pelos influenciadores. Nesse panorama, dois aspectos fazem-se relevantes: a fictícia vida desses influenciadores e o consumo preestabelecido.

Inicialmente, a falsa imagem de riqueza fácil passada por youtubers e instagramers fascina adolescentes e crianças. Conforme a teoria da tábula rasa do filósofo inglês John Locke, todos nascem iguais, a mente de cada um é uma página em branco que é preenchida através da experiência. Analogamente, os jovens, que estão na fase de construção da personalidade e do conhecimento, acreditam que tornando-se um influenciador digital é possível garantir uma vida boa sem dificuldades. Dessa forma, o grau de manipulação dos criadores de conteúdo é elevado, visto que os mais novos passam a se espelhar nesses “influencers”, esse fato é confirmado por pesquisa feita em 2018 pela Youpix, empresa especialista em mercados digitais, que mostra que 64% dos jovens brasileiros já usaram influenciadores para conhecer novas marcas e produtos.

Outrossim, a esmagadora influência sobre os jovens leva a um consumo controlado. Segundo a teoria crítica proposta pelos filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, a indústria cultural é geradora de uma cultura de massa, na qual hábitos são mercadorias e devem ser rentabilizados. Uma vez que os influenciadores são construtores e controladores dessa indústria, eles decidem o que faz parte da cultura de massa e, por influenciarem os indivíduos, principalmente os mais jovens, decidem o que deve ser consumido, o que resulta na perda da criticidade individual. Por certo, essa situação é reforçada por uma pesquisa da Qualibest no ano de 2018, na qual os influenciadores digitais representam a segunda fonte mais relevante para tomada decisão de compra.

Portanto, constata-se que os jovens têm seu desenvolvimento impactado pelos influenciadores digitais, configurando-se como um problema na sociedade. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Educação, que é responsável pela destinação dos recursos, inclua na formação do jovem um plano de educação digital junto às famílias, por meio da criação de disciplinas escolares e canais digitais abordando como o comportamento humano sofre interferência da Internet. A ação proposta visa recuperar o senso crítico dos jovens e, por consequência, reduzir a ação dos influenciadores sobre esse grupo.