O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 26/05/2020
Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja a ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidas nos veículos de comunicação. Nesse sentido, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, produtores de conteúdo para o Youtube, Instagram ou Facebook, que possuem milhões de seguidores, compostos predominantemente por um público juvenil. Assim, é importante analisar o impacto desses influenciadores na vida dos jovens, cada vez mais conectados às redes sociais.
Sabendo da força dos influenciadores digitais, as empresas estão investindo nessas celebridades para divulgarem seus produtos, devido ao grande alcance do público e na capacidade que eles têm de moldar comportamentos, já que conseguem se aproximar dos seguidores de uma forma natural e que desperta a vontade de acompanhar as tendências de moda e estilo de vida. Isso se evidencia pela quantidade de publicidade que esses famosos fazem, entretanto, os pais devem orientar os filhos para não se tornarem alvos fáceis dessa estratégia de marketing, que muitas vezes, deixam a ética de lado em nome do estímulo de consumo.
Além disso, é válido citar casos de atitudes preconceituosas de “youtubers”, que podem contribuir para a construção do caráter do jovem sob alicerces frágeis. Um exemplo disso é o youtuber Julio Cocielo, cujas piadas feitas em um vídeo foram consideradas racistas e repercutiram negativamente na mídia. Comportamentos como esse são inaceitaveis, pois reforçam esteriótipos e distorcem a visão de mundo dos jovens, confirmando a ideia de Adorno, que a cultura de massa não apenas torna-os menos inteligentes, mas também incapazes de agir moralmente.
Percebe-se que, portanto, os influenciadores digitais possuem o poder de persuadir e inspirar o comportamento dos jovens. Por isso, cabe aos pais e familiares verificarem o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas on-line e alertarem os filhos sobre a manipulação que existe na mídia para transformar a arte em mercadoria e estimular o consumo por meio da alienação das massas. Espera-se, com isso, desenvolver nos jovens uma inteligência emocional que permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “indústria cultural”.