O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 27/05/2020

Segundo o filósofo alemão Durkheim, “o fato social é a maneira coletiva de se pensar.” Nessa lógica, os indivíduos são determinados pelas dimensões sociais e coletivas nas quais se encontram. Na conjuntura contemporânea ocupado pelos influenciadores digitais e o advento exacerbado do poder midiático nas últimas décadas do século XX, é certo, que esse contingente populacional possui fortes repercussões no contexto brasileiro atual, principalmente sobre os jovens. É mandatório, pois, analisar se essa influência compõe um reiterado óbice social ou se constitui um meio de obtenção de conhecimento.

Sendo assim, é incontrovertível que os influentes relacionados às plataformas educacionais são um suporte para os anseios da população jovem que busca ampliar seus conhecimentos de uma forma imediata e rápida. Em consonância aos filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer, no livro Dialética do Esclarecimento, existem dois tipos de razão: a razão crítica e instrumental. A razão instrumental seria aquela na qual a população estaria imersa, visto o macro contexto ascendente de desinformação. Os influenciadores digitais ligados à edução, porém, rompem essas barreiras levando em conta o poder social supracitado por Durkheim, diluindo essa concepção instituída de um suposto “inconformismo inconformado” visando a obtenção do conhecimento para a plenitude da essência humana.

Sob outro ângulo, partes dessa faixa social influenciadora utiliza seu poder midiático para externar ofensas e excluir socialmente parcelas minoritárias subjugadas. Dessa forma, através de pensamentos retrógrados e preconceituosos que, infelizmente, devido ao seu poder influenciador cristalizam-se no ideário coletivo populacional e mutilam conceitos de cidadania, representando um retrocesso para toda uma sociedade que preza por igualdade. Logo, por conta de ideias errôneas que facilmente consolidam-se perante os jovens, a população não evolui, mas regride. Com efeito, pensamentos que deveriam ser raros em pleno século XXI, são, inclusive, aclamados.

Desse modo, é imperioso que a razão instrumental não componha o paradigma social hodierno. Para tanto, cabe à população civil e organizada exaltar os influenciadores que trabalhem com conteúdos ligados ao crescimento pessoal, por meio de plataformas digitais que fomentem o debate sobre o assunto, e repudiem os que incitem qualquer tipo de violência moral, física ou verbal. Para isso, o Ministério da Educação deve organizar palestras e eventos culturais, por intermédio de pessoas especializadas no assunto, que expliquem aos cidadãos o poder exercido por essa parcela social hegemônica, além de incentivar que publicações ou vídeos com conteúdos inapropriados devam ser denunciados, com o fito de coibir esse quadro nacional. Somente assim, o fato social, como propôs Durkheim, será de intensa harmonia entre a tecnologia e a realidade atual.