O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 03/06/2020
Os filósofos alemães Adorno e Horkheimer criaram o conceito de “indústria cultural”, cuja ideia está relacionada a uma padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Nesse sentido, com a facilidade de interação no ambiente digital e o desejo de fazer parte de algo, indivíduos pertencentes a geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), são atualmente a chave de todo o engajamento do marketing virtual, principal ferramenta dos chamados “digital influencers”, produtores de conteúdo de plataformas digitais como Facebook e Instagram, os quais causam um significativo impacto na vida de jovens brasileiros, cada vez mais conectados às redes sociais.
Seguidamente, sabendo da força desse novo conjunto de profissionais, as empresas estão investindo nesses indivíduos para divulgar seus produtos devido ao grande alcance de público e na capacidade que eles têm de despertar de forma natural o interesse dos internautas em acompanhar as tendências e seus estilos de vida, baseados no cotidiano glamouroso no qual se ganha desde produtos de beleza e vestuário, como também viagens e experiências únicas, somados aos lucros financeiros e fama, conduta evidenciada pelo grande número de criadores de conteúdo disponíveis no mercado virtual e a procura daqueles que se destacam por atingir um maior índice de pessoas.
Do mesmo modo, tal comportamento desencadeia no internauta não somente a vontade de consumir os produtos oferecidos, como também o sonho de se tornar parte daquele grupo devido a impressão que se tem de uma vida perfeita. É importante salientar que a exposição pública também introduz riscos na vida desses criadores através de julgamentos e críticas de parte dos seguidores, ocasionando em problemas de saúde como ansiedade e depressão, devido ao medo de serem rejeitados, além da imensa responsabilidade em assinar contratos e venderem um produto de qualidade.
Evidencia-se, portanto, que apesar de os influenciadores digitais serem uma tática viável para o mercado, eles têm poder de persuadir e inspirar o comportamento de crianças e jovens, o que torna necessário em primeira instância o controle familiar em verificarem o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas onlines e alertar os filhos sobre a manipulação que existe na mídia para transformar a arte em mercadoria e estimular o consumo por meio da alienação das massas, concomitante a fiscalização das próprias empresas que contratam este tipo de serviço ao analisar o público a quem o influenciador atende e assegurar que o diálogo utilizado não inspire de maneira negativa os consumidores das mercadorias, desta forma assegurando um aproveitamento saudável de ambas as partes e desestruturando o cenário conjugado a industria cultural.