O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 30/06/2020

O filme brasileiro “Modo Avião” retrata a vida de uma influenciadora digital, em que é mostrado o lado oculto dessas pessoas, que vai além do conteúdo que parece ser perfeito e lindo o tempo todo, apresentado ao público. Fora da ficção, tem se buscado respostas a respeito do impacto desses influenciadores na formação dos jovens. Nesse contexto, torna-se evidente fatores positivos, no que tange a representatividade, bem como negativos, reflexo da priorização de interesses financeiros.

Convém ressaltar, a princípio, que tais profissionais podem atuar significativamente no papel de usar de seu alcance para dar voz a outras realidades sociais. De acordo com a poetisa Rupi Kaur, “A representatividade é vital”. Ela ilustra isso fazendo alusão a uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Dessa forma, é muito importante o que alguns influenciadores digitais fazem, expondo a diversidade do ser humano de ser, agir, se vestir, usar o cabelo, promovendo assim o respeito e autoaceitação, principalmente dos jovens, permitindo que se identifiquem e sintam-se representados, não desejando ser nada diferente do que já são.

No entanto, um problema encontrado é a questão do estímulo ao consumismo, em prol dos próprios fins financeiros. Platão define que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Com isso, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo. Diante disso é que os influenciadores apoiam-se para induzir os jovens a se interessar e consumir as marcas, as quais eles são representantes. Incentivam a compra de produtos/serviços nem sempre de qualidade ou de real necessidade, conseguindo mais consumidores e lucros para si, porém contribuindo para a formação de indivíduos mais inconscientes em relação às compras no mundo capitalista.

Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no óbice. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com estudantes universitários do curso de Filosofia, devem promover “workshops” e oficinas abertas à comunidade, em escolas, que auxiliem os participantes na construção do seu pensamento crítico. Em tais eventos, devem ser elaboradas atividades dinâmicas, que ensinem a aplicação do pensamento racional na temática da influência que o conteúdo que acessam pode exercer sobre eles, a fim de que saibam discernir o que pode ser prejudicial e o que os agrega significativamente.