O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 06/06/2020
A internet passou por uma massiva popularização desde seu surgimento durante a Guerra Fria até os dias atuais, se apresentando hodiernamente como uma ferramenta indispensável e beirando a onipresença; justamente por ter sido aprimorada e disseminada durante as últimas cinco décadas, os maiores protagonistas do uso das redes sociais são jovens e adolescentes, que tem como modelos de comportamento e opinião os intitulados “digital influencers”. Dessa maneira, uma geração inteira passa a ser moldada em torno dessas figuras, que possuem um papel social relevante e devem reconhece-lo.
Adeptos de um estilo de vida em que suas rotinas e vivências são excessivamente expostas, os influenciadores digitais possuem um compromisso social para com os usuários que os acompanham; suas opiniões e falas reverberam em grandes escalas e os ecos de suas ações também atingem o âmbito sociopolítico, ainda que comumente essas figuras não possuam diligência com o manejo de informações repassadas por elas e suas implicações.
Não obstante, como consequência de uma sociedade capitalista que visa unicamente o lucro, há ainda uma parcela igualmente danosa desses influenciadores que mantém-se neutra diante de temáticas sociopolíticas, não trazendo discussões, debates ou qualquer conscientização em suas plataformas, ação essa que infere em um processo de alienação dos jovens seguidores, que estão em processo de formação do caráter. A ativista Nina Simone afirmou uma vez que “é uma obrigação artística refletir meu tempo”, citação essa que apenas reforça a negligência dos influenciadores que optam pela imparcialidade completa e inescrupulosa.
Além disso, a imagem dos influenciadores é ostensivamente utilizada como forma de propaganda de marcas e produtos, sendo comum a inexistência de qualquer processo de triagem por parte destes em relação às políticas e condutas das grifes que são divulgadas, abrindo margem para propagandas enganosas; segundo pesquisa de 2018 do Instituto QualiBest, influenciadores são a segunda fonte para tomada de decisões em uma compra, dado que alerta também para a necessidade de uma maior fiscalização dos consórcios entre as empresas e essas celebridades digitais.
Assim, buscando proveito da inevitável relevância dos “influencers” dentro da classe juvenil, o Estado, aliado aos órgãos responsáveis pela criança e pelo adolescente, pode realizar parcerias com essas figuras, utilizando suas redes sociais para debates ao vivo sobre temas diversificados, sempre mediados por educadores ou acadêmicos de renome. Destarte, o processo de informatização atingirá adolescentes e os próprios influenciadores, que passarão a usar seu alcance de maneira edificante e eficiente, assumindo seu compromisso como formadores de opinião.