O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 06/06/2020
Em julho de 2019, o comediante Whindersson Nunes, um dos maiores influenciadores digitais do Brasil, falou sobre sua depressão em entrevista a Globo. Nesse sentido, ele destacou à internet como a principal culpada de seu estado de saúde. Logo, o tema foi amplamente discutido nas semanas seguintes. Desse modo, é evidente a influencia das redes sociais e principalmente dos influenciadores na vida dos jovens. Portanto, a irresponsabilidade, somada à necessidade de mostrar uma vida perfeita podem desencadear efeitos negativos em seus seguidores.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que segundo Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em redes sociais os jovens comportam-se em um tipo de “efeito manada”. Assim, é notório que muitos influenciadores não se conscientizam dessa responsabilidade. Dessa forma, gerando episódios como o que aconteceu com o youtuber Júlio Cocielo, no qual ao fazer um comentário ofensivo ao jogador Kylian Mbappé, da França, foi condenado pela promotoria de Direitos Humanos a pagar R$ 7 milhões por danos coletivos. Em suma, comentários ofensivos como esse podem desencadear efeitos em seus seguidores, que ao admirarem o humorista, não distinguem más ações de boas ações e, por conseguinte, aplaudem e executam o que seu ídolo faz.
Em segunda análise, o termo “positividade toxica” dar-se aqueles influenciadores que passam uma ilusão que sua vida é sempre perfeita. Nessa perspectiva, o escritor Francês Guy Deboard fala sobre a “Sociedade do Espetáculo”, quando a vida passa a ser um espetáculo a ser apreciado, no qual o importante é a aparência. Dessa forma, discursos positivos e meritocráticos, no qual todos tem á intenção de gerar dinheiro, são vistos facilmente nas redes sociais. Desse modo, os jovens não aceitam o ciclo de altos e baixos da vida, sentem-se sem perspectivas e incapazes, em diversos casos podendo gerar doenças graves como síndrome do panico, depressão e, por conseguinte, o suicídio.
Então, o impacto dos influenciadores digitais nos jovens não devem ser negligenciado. Logo, o Governo Federal, juntamente representantes de redes sociais, deve esclarecer aos influenciadores, por meio de reuniões e campanhas, a influencia deles na vida dos jovens para que a discussão seja posta em debate, assim conscientizando a população a respeito da problemática. Além disso, o MEC (Ministério da Educação e Cultura) deve, por meio de verbas públicas, implantar nas escolas e Universidades, matérias obrigatórias que discutam as consequências quanto ao uso da internet e quanto isso interfere na saúde mental dos jovens. Assim, episódios como o do Júlio Cocielo não voltariam a acontecer.