O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 08/06/2020

Na obra “Utopia”, do inglês Thomas More, é retratada uma sociedade prefeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade é diferente, uma vez que a má influência de blogueiros na formação dos jovens representa uma barreira para seja atingida essa sociedade utópica. Esse cenário antagônico é fruto tanto da omissão estatal, quanto do egoísmo de algumas empresas. Diante disso, torna-se fundamental a análise das raízes desse problema.

Inicialmente, é fulcral pontuar que o impacto nocivo dos influenciadores digitais deriva da baixa atuação dos governantes na regulação dessa atividade. Segundo  o pensador Thomas Hobbes, o Estado é o responsável pelo bem-estar social, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à omissão das autoridades, os blogueiros sentem-se livres para influenciar negativamente o pensamento dos jovens, o que contribui para o surgimento de uma geração consumista e superficial. Consequentemente, 64% dos jovens já foram apresentados à marcas e produtos pelos influenciadores, segundo a consultoria Youpix. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Adicionalmente, cabe ressaltar o pensamento capitalista de parte dos empresários como promotor do problema. De acordo com o pensamento marxista, a sociedade torna-se caótica quando se prioriza lucro em detrimento das questões humanas. Nesse viés, contribuem para o caos social as empresas que fazem marketing digital através de blogueiros sem conteúdo, que usam sua influência para manipular seus seguidores, moldando seus pensamentos subconscientemente e criando uma sociedade onde o ter é mais importante que o ser. Para exemplificar, houve 12,9 milhões de posts patrocinados no instagram em 1 ano, segundo o site metrópole. Nesse sentido, tem-se como urgente a mudança nessa forma de pensamento egoísta de alguns empresários.

Portanto, ações práticas precisam ser tomadas para reverter o cenário. Dessarte, para mitigar os efeitos danosos dos blogueiros na formação dos jovens, o Ministério da Educação deve, por meio de recursos do Tribunal de Contas da União, criar programas que incentivem os influenciadores digitais ligados a área da educação, com o desenvolvimento de blogs que reflitam sobre questões filosóficas e contribuam para o desenvolvimento educacional de seus seguidores. Ademais, os empresários devem receber incentivos fiscais para anunciar seus produtos com influenciadores digitais que contribuam para o desenvolvimento social. Desse modo, atenuar-se-á a médio prazo, os impactos nocivos da manipulação digital na formação dos jovens, e a sociedade alcançará a utopia de More.