O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 11/06/2020

No limiar do contexto histórico, a internet surgiu, em 1969, com o propósito de interligar laboratórios de pesquisa norte-americanos. Entretanto, o aprimoramento dessa tecnologia ao longo das décadas, junto à sua difusão entre os demais países, possibilitou que, atualmente, a “rede online” seja um espaço amplo, de livre acesso entre as pessoas e utilizado para diversos fins. Nesse ínterim, problematiza-se o fato de que, pela carência de algumas habilidades, os jovens são os que mais sofrem impactos negativos em sua formação mediante ações dos chamados “influenciadores digitais”.

A princípio, sabe-se que a Base Nacional Comum Curricular — documento normativo para as redes de ensino e suas instituições públicas e privadas — determina que crianças e adolescentes devem compreender, no âmbito escolar, habilidades socioemocionais como, por exemplo, autonomia, autoestima e autoconhecimento, uma vez que essas aptidões são de extrema importância para o processo de formação desses indivíduos. Todavia, deficiências na aplicabilidade dos referidos preceitos tornam o público jovem mais vulnerável ao impacto danoso dos influenciadores digitais, os quais constituem pessoas ou marcas que, através dos seus conteúdos, podem influir seguidores nas redes sobre determinadas escolhas e conceitos.

Por conseguinte, entre os prejuízos para crianças e adolescentes que consomem os conteúdos supracitados, está a ocorrência de terem suas personalidades moldadas por terceiros. Posto isso, a concepção de “modernidade líquida” estabelecida no livro homônimo do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, reitera que, nesse parâmetro, o indivíduo é objetificado, tornando-se apenas o que ele consome e não mais o que realmente é. Assim, constata-se que o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens recai sobre a maneira em que eles se vêem e as falsas necessidades instituídas a partir dos conteúdos vistos, os quais incitam determinado tipo de consumo e, além disso, afetam as opiniões e os comportamentos desses sujeitos.

Portanto, para atenuar os efeitos negativos do marketing de influência digital no desenvolvimento do público jovem, urge que o Ministério da educação, em parceria com os estados e municípios, fiscalize a aplicabilidade das normas já instauradas na Base Nacional Comum Curricular, por meio dos relatórios enviados pela gestão das escolas às secretarias de ensino das suas cidades. Destarte, espera-se que, com a compreensão das habilidades socioemocionais, diretriz da BNCC, dentro da sala de aula, os alunos não sejam mais afetados negativamente pelas novas ferramentas da internet no cenário atual.