O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 10/06/2020
Com o advento da revolução tecno-científica-informacional, o mundo sofreu diversas alterações nos seus paradigmas sociais, diminuindo as barreiras de comunicação entre os países, o que culminou em um mundo altamente globalizado. Destarte, diversas formas de interação foram desenvolvidas de forma a atender à célere transformação digital a que o planeta estava submetido, e a mais impactante foram as redes sociais. Entretanto, com esta nova ferramenta, surgiu, concomitantemente, a determinística dos valores positivados de sucesso em cada sociedade, que na esfera dos jovens é exercida pelas figuras dos influenciadores digitais, sendo essa nova configuração de “poder” um problema para a homeostase da sociedade como um todo.
Nessa conjuntura, o filósofo Foucault, em sua obra “História da Loucura”, conceitualiza que indivíduos considerados “normais” são aqueles que seguem os padrões sociais vigentes, esses ditados hodiernamente pelos influenciadores digitais. Esse status quo conduz à gênese de uma parcela da sociedade a qual, por não se adequar a este modelo peremptório, acaba por ser marginalizada, e consequentemente, rebaixada a uma condição de indivíduos “anormais”, tendo, então, sua autoimagem individual totalmente deturpada.
Dessa maneira, a perda da autoestima por parte da população leva a uma condição de um povo sem características identitárias, como ocorrido após a Primeira Guerra Mundial com a Alemanha, devido à situação econômica pós esforços de guerra, além das obrigações exorbitantes oriundas do Tratado de Versalhes. Por conseguinte, essa lacuna de percepção de pertencimento a um grupo em uma sociedade gera a oportunidade de moldagem de pensamentos das pessoas, podendo ser exercida por grupos corporativos em busca de ampliar seus mercados, ou até mesmo por um ditador fascista com intenções de afirmar seus princípios ideológicos.
Portanto, fica evidente que existe um grande impacto causado pelos influenciadores digitais na formação dos jovens. Desse modo, o Poder Público nacional, por meio do Ministério da Educação, deverá fortalecer o pensamento crítico e filosófico da sociedade, ao intensificar a carga pedagógica na grade curricular das escolas das matérias de Filosofia e Sociologia. Dessa forma, as pessoas se tornarão menos suscetíveis à alienação de pensamentos, e mais livres e determinadas em suas próprias convicções.