O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 17/06/2020
Compreendidos como indivíduos que, diante de conteúdos publicados em suas redes sociais, moldam pensamentos e comportamentos dos seus seguidores, em geral jovens, os influenciadores digitais são, muitas vezes, considerados referência pelo seus admiradores, sendo, por isso, contratados por certas empresas para divulgação de produtos e de serviços. Dessa forma, além de delinear a opinião dos seus fãs, as figuras digitais também os persuadem a adquirir as mercadorias divulgadas. Entretanto, os efeitos da influência dos blogueiros são, normalmente, prejudiciais a seus devotos e à sociedade, visto que ela pode contribuir à formação de púberes inconscientes e com disfunções psíquico físicas.
Nesse contexto, cabe ressaltar a falta de consciência social de certos influenciadores digitais. Muitos dos formadores de opinião, visando seus lucros, fazem publicidades a empresas, sem, de fato, consumirem tal produto. Por esse ângulo, destacam-se os blogueiros “fitness”, que se aproveitando do padrão corporal imposto pela sociedade, realizam propagandas de remédios que, provavelmente, os auxiliaram em seus processos de aquisição do corpo escultural. Assim, muitas pessoas, em especial jovens, adquirem o fármaco na esperança de alcançarem a estrutura corporal do seu criador de conteúdo preferido. Entretanto, além dos prejuízos psíquico físicos , como a ansiedade e os distúrbios alimentares, vindos da frustração por não conseguir a constituição física do seu ídolo, há complicações fisiológicas que podem ocasionar a morte. A título de exemplo têm-se a jovem do Piauí, que segundo o portal de notícias “G1”, faleceu, após ingerir medicamento para emagrecer, indicado por uma blogueira.
Ademais, outro impacto negativo à sociedade é o surgimento de indivíduos cada vez mais acríticos. A isso reflete o conceito de indústria cultural do filósofo Adorno, que a conceitua como uma máquina mediada por interesses dos detentores de conhecimento, que, por buscarem a padronização dos hábitos e dos valores, alienam o ser humano, impondo moldes de comportamento e de consumo. Destarte, percebe-se que, sobretudo os jovens (comumente sem opiniões consolidadas), absorvem o que os influenciadores pregam, acreditando, unicamente, nas ideias, majoritariamente superficiais, propagadas pelos criadores de conteúdo. Isso, não apenas potencializa o consumo inconsciente, mas promove o desenvolvimento de mentes passivas, incapazes de construir um pensamento particular.
Portanto, objetivando reduzir, no Brasil, as consequências maléficas dos influenciadores digitais no amadurecimento da juventude, cabe ao Ministério da Educação estabelecer nas instituições escolares um ensino acerca das mídias atuais. Essa educação se daria por meio de parcerias com empresas voltadas à produção tecnológica, as quais explicariam aos jovens como funciona o marketing digital do influenciador, alertando-os, assim, ao consumo, de produtos e de ideias, de modo consciente e crítico.