O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 11/06/2020

A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão como um princípio fundamental a todos os cidadãos. Contudo, tal direito vem sendo usado de uma maneira inadequada, nos quais muitos “digitais influencers” usam sua popularidade para manipular e influenciar seus telespectadores. Influindo ora na educação, impossibilitando-os de construir um pensamento crítico, permanecendo na teoria de Menoridade Intelectual, ora nos hábitos alimentares, que já são maléficos desde o surgimento dos produtos industrializados e se intensificaram com essas induções.

A princípio, é válido salientar que, com a Revolução Técnico-Científico-Informacional, a rede mundial de computadores passou a abranger-se cada vez mais à população. Entretanto, esse avanço, e o surgimento de influenciadores digitais, prejudica a formação educacional dos jovens, uma vez que estimulam o público supracitado a diminuir a rotina de estudos e focar em jogos eletrônicos e de aplicativos, fazer tutorias de maquiagens e até mesmo vídeo de comédia, sendo inviabilizados de terem uma formação apta e munida de pensamento crítico, permanecendo na Menoridade Intelectual. Tal arcabouço, postulado pelo filósofo Kant, e que perpetua na juventude, afirma que um pequeno grupo, por não questionar fatos e acontecimentos, tem a formação de criticidade dificultada, mantendo-o numa bolha social.

Outrossim, outro impasse a ser superado é a influência de criadores de conteúdos na alimentação. O príncipe eletrônico, de Octavio Ianni, diz que a grande mídia, e seus usuários, seriam incentivadores de opiniões e hábitos. Esse texto, no hodierno, se assemelha à sociedade brasílica, já que influenciadores digitais fazem vídeos provando ou “avaliando” comidas e, indiretamente, instruindo aos telespectadores a fazerem o mesmo, que segundo Nietzsche, através do comportamento de manada – os quais incentivam as pessoas a seguirem esses atos sem refletirem sobre. Com isso, podem haver complicações no aparelho digestivo, dado que as comidas são calóricas e industrializadas, ocasionando ou agravando problemas de saúde, como infecções e, em alguns casos, diabetes, como defendem especialistas na pesquisa lançada pelo site G1 em 2017.

Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, criar uma disciplina na Grade Comum Curricular, com aulas, oficinas e debates, que abordem sobre tecnologias, “digitais influencers” e sua manipulação para com o público infanto-juvenil, a fim de instruir como funcionam tais mecanismos e orientá-los a agir na internet, de modo que não afete o senso crítico. E assim, com medidas graduais e progressivas, amenizar a instigação dos criadores de conteúdos sobre os jovens e fazer valer à Carta Magna de 1988.