O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/06/2020
O uso dos meios de comunicação para influenciar os indivíduos não é recente no Brasil: ainda em 1937, Getúlio Vargas já usava essa técnica a seu favor para manipular o apoio da massa. Entretanto, o impacto dos influenciadores digitais aos usuários, configura-se como um prejuízo ao avanço do meio técnico-científico-informacional. Nesse sentido, demanda-se atuação mais decisiva de atores sociais e estatais para melhorar a formação dos jovens brasileiros. Ademais, essa problemática potencializa não só as relações de aparência, mas também a pouca reflexão crítica, tornando-se um desafio a superar.
Com efeito, nota-se que os influenciadores digitais passam a impressão de vida perfeita, fortalecendo as relações de aparência. Dessa forma, o poema parnasiano " Mal secreto", de Raimundo Correia, evidencia essa supervalorização do “Ter” em detrimento do “Ser”, em que retratam as falsas imagens que são passadas. De maneira similar, os influencers usam as redes sociais para divulgar essas ideologias que falam de dinheiro, fama e status sociais, causando nós jovens impactos negativos, pois ao não possuírem esses artifícios sentem-se excluídos e apagados. Desse modo, essa situação apresenta-se como algo nocivo ao desenvolvimento dos jovens brasileiros.
Outrossim, ao manipular as informações e influenciar as ações dos indivíduos, causam um efeito de pouca reflexão crítica no cidadão. Sob essa óptica, os sociólogos Adorno e Horkheim, teóricos da Escola de Frankfurt, ao evidenciarem que a indústria cultural é manipuladora de gostos e usa os bens culturais para influenciar o comportamento humano. Como resultado, os influenciadores possuem efeito direto nas decisões das pessoas, moldando suas atitudes sem que elas percebam, criando até uma falsa necessidade de bens materiais. No entanto, a liberdade de escolha é vilipendiada e a protagonização do ser não é promovida, dada a fragilidade do senso crítico dos indivíduos.
Em suma, são inegáveis os prejuízos à sociedade brasileira em decorrência do mau uso da influência pelos meios de comunicação.Nesse contexto, cabe ao Ministério Público investir em educação digital nas escolas,por meio de inclusão de disciplinas facultativas, em que aflorem o senso crítico dos alunos, a fim de otimizar os hábitos comportamentais na rede. Além disso, compete ao Estado, em parceria com instituições privadas promover e proporcionar aos usuários o uso correto e inteligente das redes sociais, a partir de projetos de programas de capacitação que vislumbrem mitigar as manipulações. Assim, caso essas medidas ocorram, a manipulação do gosto evidenciada por Adorno e Horkheim, será gradualmente atenuada.