O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/06/2020
Em meados de 2005, o Youtube e o Facebook, duas grandes plataformas digitais, foram criados, possibilitando o surgimento de influenciadores digitais, indivíduos disseminadores de novas tendências e informações com alto influxo mundial. No entanto, com a propagação da internet e redes sociais principalmente entre os jovens, a participação dessas personalidade vem se mostrando responsáveis por impactos negativos dentro da formação da juventude, como o incentivo ao consumismo exacerbado e a propagação de discursos falsos, extremistas e violentos.
A priori, é importante comentar o papel dos influenciadores digitais para a manutenção de um padrão consumista entre os jovens. A esse respeito, de acordo com o IBGE, mais de 80% dos jovens brasileiros fazem o uso da internet, sendo que mais de 90% desses já constataram terem sido influenciados por personalidades digitais para a compra de algum produto ou serviço. Unindo tal fato com a rápida obsolescência dos produtos e o papel que tais personalidades desenvolvem para discursos apelativos sobre os lançamentos no mercado (ideia está comentada por Ricardo Alexandre, insigne palestrante), é possível perceber que os influenciadores estão em constante atividade incentivando o consumo exagerado de grande parcela dos jovens. Tal questão merece maior atenção, visto que, como relatado por Bauman - sociólogo polonês, o consumismo degrada as relações sociais e incentiva o processo de alienação entre as pessoas.
Além disso, de acordo com o Youtube, as cinco personalidades brasileiras mais relevantes no final de 2019 possuíam ideais desumanos e de extrema direita - entre elas o diretor do canal Folha Política. O problema desse fato reside na alta taxa de Fake News exposta por esses influenciadores, assim como das concepções racistas e homofóbicas que muitos pregam. Fatores esses que podem induzir o comportamento de grande parcela dos jovens do país, contribuindo para a manutenção de tendências de exclusão e violência.
Com base nos fatos discorridos, percebe-se que a atividade dos influenciadores digitais pode gerar problemas na formação da juventude, necessitando de monitoramento. Para tanto, as grandes plataformas digitais (como Instagram, Facebook e Youtube), devem propor a redução da atuação dos influenciadores com ideais desumanos e que pregam o consumismo apelativo, por meio de alterações em seus algoritmos de exibição de títulos e perfis dos usuários. Tais alterações não permitirão que os canais e perfis das personalidades em questão sejam expostos nas paginas principais das plataformas. Com isso, grande número de jovens terão menor contato direto com essas personalidades e, consequentemente, com seus ideais, possibilitando um uso seguro das plataformas criadas após 2005.