O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 22/06/2020

O “estilo de vida americano” foi um modelo comportamental surgido nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Este modo de viver baseava-se no consumismo e na padronização social, criando através de propagandas, a ideia de uma vida feliz alcançada por meio dos bens materiais. Desse modo, atualmente, influenciadores digitais vêm reproduzindo esse modelo de vida perfeita em suas redes sociais e consequentemente gerando problemas psicológicos nos jovens que não conseguem atingir esse padrão. Sendo assim, torna-se necessário salientar o capitalismo e a falta de regulamentação nos meios de comunicação como pilares fundamentais da problemática.

A princípio, é indubitável que as figuras influentes da internet agem em prol do capital. De acordo com a alegoria da caverna da obra “A República” de Platão, as pessoas não conseguem enxergar a realidade e vivem iludidos crendo nas sombras como verdades absolutas. Nesse sentido, é possível perceber que de forma análoga, as redes sociais são como as cavernas e o consumo é como as sombras, as quais, os jovens enxergam como único jeito de ser feliz, deixando de ver a realidade por trás das telas. Sendo assim, os internautas vivem seguindo, imitando e comprando tudo que os influentes divulgam, sem notar que por trás das propagandas disfarçadas pelo carisma, há empresas que estão pagando para que as publicações sejam feitas.

Outrossim, destaca-se a falta de regulamentação para a divulgação de propaganda nas redes sociais como promotor do problema. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, torna-se evidente que os adolescentes se prendem por valores superficiais, dando mais valor para o “ter” do que para o “ser”. Por conseguinte, quando não conseguem comprar ou se encaixar naquilo que o influente define como padrão, acabam se sentindo inferiores e incapazes. Dessa maneira, favorecendo a ocorrência de quadros depressivos na parcela juvenil da população.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para que as pessoas não deixem sua felicidade depender de influentes digitais ou de um estilo de vida. Logo, os aplicativos de redes sociais devem garantir a transparência das propagandas, fazendo com que as publicações feitas para fins lucrativos tenham algum diferencial identificando-as, para que o internauta possa saber que, de modo até inconsistente, está sendo estimulado ao consumo. Ademais, o Ministério da Saúde junto com o Ministério da Educação deve promover palestras ministradas por psicólogos nos colégios, com o intuito de tirar os jovens da “caverna” que se encontram e ajuda-los a lidar com as cobranças e o estímulo ao consumismo nas mídias sem deixar isso afete a formação dos jovens e traga problemas psicológicos.