O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 24/06/2020
No episódio “Nosedive”, da série de ficção científica “Black Mirror”, é retratada uma sociedade que utiliza a popularidade das pessoas nas redes sociais como critério para definir a qual classe social devem pertencer. Fora da ficção, percebe-se que ser famoso na internet também garante status e influência. Nesse contexto, fica evidente que o marketing de influência se consolidou como uma das estratégias mais eficientes para impactar a geração Z, já que crianças e jovens passam a maior parte do tempo no universo virtual. Assim, faz-se imprescindível analisar o impacto dos influenciadores digitais na vida dos jovens brasileiros.
Em primeiro plano, urge analisar a falta de criticismo dos usuários mediante a internet. Nesse contexto, a falta de percepção crítica acerca das informações adquiridas nas redes por parte dos indivíduos implica uma falsa ideia de liberdade de escolha, já que os “influencers” que definem qual marca ou produto deve ser consumido. Com efeito, tal conjuntura é análoga a “menoridade intelectual”, proposta pelo filósofo Kant, a qual caracteriza a falta de autonomia dos indivíduos sobre seus intelectos, uma vez que a sociedade, em especial os jovens, torna-se refém da manipulação de celebridades e “youtubers” e, consequentemente, tem seu comportamento moldado.
Outrossim, deve-se ressaltar a importância econômica da problemática. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso dos filósofos Adorno e Horkheimer, no qual eles conceituam a indústria cultural: esta consiste na padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Assim, há uma objetificação do homem pela mídia, passando este a seguir os comportamentos ditados pela seara midiática. Seguindo essa linha de pensamento, as empresas que utilizam os influenciadores digitais para promover seus produtos estão interessadas não no bem-estar dos indivíduos, mas nas benesses econômicas. Com isso, promovem a circulação de ideias e mercadorias com ausência de um conteúdo crítico e permitem a massificação desses comportamentos. Dessa maneira, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser imediata.
Em suma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Logo, as instituições escolares são responsáveis pela educação digital e emancipação de seus alunos, com o intuito de deixá-los cientes dos mecanismos utilizados pelas novas tecnologias de comunicação e informação e torná-los mais críticos. Isso pode ser feito pela abordagem da temática, desde o ensino fundamental — uma vez que as gerações estão, cada vez mais cedo, imersas na realidade das novas tecnologias —, de maneira lúdica e adaptada à faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores acerca dos novos meios comunicativos. Somente assim, haverá um caminho traçado para uma sociedade emancipada.