O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 25/06/2020
No livro Dialética do Esclarecimento, dos filósofos Adorno e Horkheimer, é trazido à tona o conceito de Indústria Cultural, tal cujo afirma que a cultura popular é semelhante a uma fábrica que produz bens culturais padronizados, usados para manipular a passiva sociedade de massa. Sob essa luz, estão inseridos no contexto atual os influenciadores digitais, produtores de conteúdo que possuem milhões de seguidores, estes predominantemente compostos por um público juvenil. Logo, como o nome sugere, eles se tornam influências diretas, de forma que estão presente no dia a dia das crianças e do adolescente e, portanto, é importante analisar o impacto deles na vida dos jovens brasileiros.
Em primeira via, é importante citar que a vida e opiniões pessoais dos conhecidos como “digital influencers” afeta muito as ações cotidianas dos jovens, dado o grande alcance e a capacidade que eles têm de moldar comportamentos, já que conseguem se aproximar dos seguidores de forma natural e que desperta a vontade de acompanhar as tendências de moda e estilo de vida. Desse modo, acaba sendo estabelecida uma norma, fazendo com que o que for mostrado naqueles vídeos crie um padrão a ser seguido, e aqueles que não estiverem dentro de tal padrão vão ser automaticamente escanteados.
De forma secundária, ainda com o argumento anterior em mente, tal influência pode ser perigosa, pois é válido citar casos de atitudes preconceituosas de “youtubers” que podem contribuir para a construção do caráter do jovem sob alicerces frágeis. A exemplo disso, é notório citar o influencer “Orochinho”, cujas piadas são de humor negro e muitas vezes já promoveram coisas como doenças mentais, em específico a bulimia, e, em casos mais sérios, até mesmo brincaram com pedofilia, todavia, por ele ter um alcance considerável, suas ações foram defendidas por muitos de seus seguidores, em sua maioria menores de idade. Levando isso em consideração, comportamentos como esse são inaceitáveis, pois distorcem a visão de mundo dos jovens, os fazendo ter pensamentos errados, confirmando a ideia de Adorno que a cultura de massa torna o povo incapaz de agir moralmente.
Em suma, fica claro que os influenciadores digitais têm poder de persuadir e inspirar o comportamento dos jovens brasileiros, e que, sem supervisão e restrição, isso pode ser prejudicial. Portanto, cabe ao Ministério da Educação a promover palestras nas escolas que eduquem e orientem os jovens sobre os perigos de seguir sem restrições tudo que assistem. Outrossim, cabe também aos pais e familiares verificar o conteúdo dos vídeos assistidos nas plataformas onlines, a fim de julgar se o canal promove pensamentos equivocados e perigosos, para assim alertar os filhos sobre a manipulação que existe na mídia. Desse modo, espera-se que se desenvolva nos jovens uma inteligência emocional que os permita fazer escolhas e julgamentos criteriosos, afastados da “indústria cultural”.