O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 29/07/2020

Os avanços tecnológicos provenientes da Revolução Técnico-Científico-Informacional, sobretudo no que tange o âmbito das telecomunicações, foram fundamentais na construção do comportamento e padronização do consumo da geração Y e Z. Por consequência, esse movimento de modernização tecnológica e de reconfiguração do espaço sociocultural sob influência dos meios digitais aliados ao capitalismo foi responsável por estabelecer uma nova estratégia de “marketing” baseada nos efeitos dos “influencers” sobre as ações dos jovens. Tal modelo publicitário é legitimado pela o coercitividade e fomenta o consumo desenfreado.

A princípio, é importante destacar que, em função das ideias propagadas por alguns influenciadores digitais patrocinados por marcas em redes sociais, os “millennials”, que se encontram imersos na cibercultura sem qualquer preparo crítico para lidar com esse meio de fácil alienação, estão constantemente priorizando os bens materiais e o status sociais. Esse padrão comportamental genérico é validado pelas instituições sociais que falham em seu compromisso de proporcionarem uma educação sólida voltada para formação de alunos ativos que procuram entender quais os impactos dos alicerces da sociedade sobre eles mesmos e os demais. Consequentemente, não é possível formar uma sociedade ética e com valores de coletividade e valorização do comportamento sem o auxílio da esfera familiar e pedagógica, pois como afirmou Kant, o homem é um produto do processo educativo.

Por consequência, alguns usuários estão pautando o seu estilo de vida em um consumismo exacerbado com intuito de atender ao “status quo” que conduz o homem à passividade e à aceitação dos valores pré-estabelecidos pelo capitalismo, que suscita em uma vida de aparências, uma vez que, o pensamento vigente configura a ideia de que quantos mais bens alguém possui mais feliz e respeitável ele se torna. Segundo Guy Debord em seu livro “Sociedade Do Espetáculo”, o homem pós-moderno tem seu comportamento voltado para um exibicionismo e necessidade de demonstrar uma felicidade e sucesso pessoal que só estão presentes no meio coletivo.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Para a conscientização dos jovens à respeito do problema ainda em idade escolar, urge que o Ministério de Cultura e Educação (MEC) promova, por meio de uma reforma na educação brasileira, a inserção de disciplinas na grade comum-curricular voltadas para a educação digital e financeira a fim de contribuir no desenvolvimento do senso crítico e de um consumo consciente. Somente assim, será possível combater a passividades de muitos que utilizam a internet no país e, ademais, refletir a boa educação que o Estado é capaz de proporcionar.