O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 30/07/2020
No episódio “Queda Livre”, da série Black Mirror, é narrado o cotidiano de Lacie - uma jovem que sonha em se tornar influenciadora digital. Para isso, a jovem compra e divulga um café que não gosta, o que influencia seus seguidores a fazer o mesmo. Fora da ficção, a realidade social brasileira não é muito diferente, uma vez que “influencers” possuem um papel de destaque na formação de opinião de indivíduos - especialmente os jovens. Nesse preocupante contexto, é necessário compreender como a constante disseminação de propagandas nas redes e a aparente “perfeição” virtual contribuem para a cultura do consumo e, consequentemente, para os altos índices de depressão atuais.
Em primeiro lugar, a propagação exagerada de publicidade velada em perfis de influenciadores digitais é uma questão crucial ao analisar o impasse. Segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt, a transmissão de propagandas em massa tem o objetivo de criar uma sociedade de consumo padronizada para a satisfação de necessidades iguais. Dessa forma, grandes empresas capitalistas utilizam-se de criadores de conteúdo online como uma nova maneira de atingir e estimular o consumo de jovens. Nesse sentido, a teoria de Adorno e Horkheimer se consolida, uma vez que, por conta de “influencers”, o comportamento de parte dos adolescentes é uniformizado, o que evidencia a nociva manipulação para o consumo.
Além disso, a aparente “perfeição” da vida nas redes sociais acarreta a altos índices de ansiedade e depressão. No livro “Sociedade do Espetáculo”, do sociólogo Guy Debord, é explicitada sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse um espetáculo, tentando oferecer o melhor “show”. Dessa maneira, os influenciadores digitais compartilham somente o seu glamour e fama na internet, o que é visto como “sucesso” na atualidade. Entretanto, tal “perfeição” é inatingível, uma vez que decepções e fracassos fazem parte da vida em sociedade. Desse modo, por conta da idealização nas redes sociais, diversos jovens podem desenvolver depressão e crises ansiedade.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o quadro atual. Nesse viés, além de promover campanhas publicitárias de conscientização, o Estado e o Ministério Público devem criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, a fim de instaurar uma nova disciplina nas escolas, com objetivo de ensinar a importância de uma visão crítica durante o uso das redes sociais. Isso deve ocorrer por meio de palestras e debates sobre os riscos da manipulação por “influencers”, para que mais adolescentes saibam como lidar com o excesso de informações na internet. Somente assim, menos casos como o de Lacie ocorrerão no Brasil.