O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 01/08/2020

O filósofo inglês, John Locke, acreditava que a mente humana era como uma tábua rasa que, como uma folha em branco, só poderia ser enriquecida por meio da experiência. Nesse sentido, o jovem, por questões de maleabilidade e inexperiência, é suscetível às influências da principal constante da modernidade: a tecnologia e, paralelamente, os seus entusiastas, os ‘‘digital influencers’’. Em razão disso, os efeitos do contato desse público juvenil para com tais atributos podem desenvolver aspectos positivos ou negativos no que diz respeito ao processo de formação de opiniões e de comportamento.

A priori, existem, decerto, vantagens na influência digital de pessoas que realmente têm algo a acrescentar para a fundamentação de um conceito ou  até para a explicação de uma ciência. O youtuber norte-americano Hank Green, por exemplo, fundou o ‘‘CrashCourse’’, um curso gratuito que ensina, com ajuda de profissionais formados e de maneira didática, assuntos desde simples conceituações filosóficas até elementos elaborados da química orgânica para seus seguidores, que constituem um público majoritariamente jovem. Sob esse viés, também se encaixam brasileiros que ofertam esse mesmo tipo de conteúdo, como Débora Aladim e Felipe Castanhari que, além de fornecerem essas pautas, ainda oferecem reflexões acerca de juízos trazidos por elas, de modo a instigar o senso crítico dos jovens que os acompanham.

Contudo, é importante salientar que esse tipo de influência digital também pode ter caráter negativo quando inspira a reprodução de um ato inconsequente ou incentiva um julgamento odioso, por exemplo. Nessa lógica, o influenciador Logan Paul, que viralizou por gravar um corpo dentro dos limites de uma reserva no Japão é exatamente um modelo do que não deve ser ofertado à juventude, ainda tão suscetível pela falta de experiência e, portanto, discernimento, sob o nome de qualquer influencer. Sobre isso, na série argentina, Disney Bia, que tem como grande holofote as relações do público jovem para com influencers também jovens, a personagem Carmín é outro exemplo de influência negativa, quando incentiva discórdia entre os seus seguidores e outra personagem.

Desse modo, é claro o potencial dos ‘‘digital influencers’’ para com a juventude. Portanto, na intenção de desenvolver os aspectos positivos desse impacto, é de responsabilidade do Ministério da Tecnologia (MCTIC) ampliar a popularidade e alcance de produtores de conteúdo bem direcionado às mentes adolescentes pelo fornecimento de subsídios para a produção de vídeos acadêmicos gratuitos, por exemplo. Assim,  o patrocínio governamental à promoção de boas produções será uma maneira de lutar contra o conteúdo tendencioso e mal direcionado e de criar uma cultura de experiência digital mais saudável e positiva para os jovens brasileiros.