O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 05/08/2020
Segundo o portal de notícias Mercado Consumidor, cerca de 64% dos jovens já usaram os “influencers” para conhecer um novo produto, o que evidencia a vulnerabilidade da geração Z quando o assunto é marketing digital, pois há a crença de que esses influenciadores têm uma vida fácil e de glamour; no entanto, os jovens não percebem o quanto esse tipo de propaganda os impacta no estilo de vida, nas compras e na construção de sua própria opinião, de maneira implícita.
Devido ao grande número de seguidores que essas pessoas públicas têm, elas acabam tendo maior credibilidade ao fazer a divulgação de um produto, e isso faz com que o jovem se sinta instigado a experimentar essa novidade apresentada; ademais, a recorrência cada vez mais frequente desse processo, cria um jovem consumista, não só de produtos mas também de um estilo de vida “da moda”, pertencente a uma sociedade líquida que prefere as coisas supérfluas às necessárias, bem como proposto por Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês.
A imagem que os influenciadores passam somada aos produtos que divulgam, impactam diretamente a vida de quem os seguem, mesmo que sem perceber, fazendo-os mudar seu estilo de vida, posto que passam muito mais horas na internet do que lendo livros ou notícias. Isso acaba por formar suas perspectivas de vida e argumentação refletidas no que veem em seu Instagram, por exemplo, pelo fato de estarem alienados ao que os é imposto, coincidindo com o conceito de “sociedade do espetáculo” desenvolvida por Guy Debord, escritor francês, que propõe o considerado ideal a partir da adesão da maioria com o intuito de agradar as redes, supervalorizando as relações de consumo.
Urge, portanto, que os usuários das mídias sociais devem ter a capacidade de “filtrar” o tipo de conteúdo que recebem e têm acesso, mesmo que inconscientemente. Faz-se necessário então que o Governo por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação crie ferramentas dentro das plataformas digitais que controlem a disseminação de anúncios e publicações de produtos por “influencers” durante o mês, a fim de que haja um balanceamento entre o que a plataforma fornece de conteúdo e serviços com o que o jovem pode absorver de benéfico, pois além de usarem a ferramenta pro lazer a utilizarão a fim de obter conhecimento, para que assim e somente assim o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens, seja menor, tornando-os menos vulneráveis e manipuláveis.