O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 17/08/2020
De acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística, 52% dos brasileiros, em sua maioria jovens, seguem pelo menos um influenciador digital nas redes sociais. Isso porque a ascensão da internet e das novas tecnologias possibilitou novas relações de poder e influência na sociedade contemporânea. Nesse contexto, torna-se fundamental analisar os impactos, negativos e positivos, causados pelos influenciadores na formação e no comportamento dos jovens.
Em primeiro lugar, o aumento do uso da internet pelos jovens vem crescendo cada vez mais. Segundo pesquisas realizadas pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 86% desse grupo social tem acesso à internet no país. Por esse motivo, as grandes empresas encontraram nos influenciadores digitais uma oportunidade de divulgar seus produtos de maneira menos fiscalizada. Sendo assim, alimentação, moda e até mesmo estilos de vida são moldados pela visão dos influenciadores, afetando principalmente os públicos mais vulneráveis. Analogamente, o episódio “Nosedive”, da série britânica “Black Mirror”, retrata como as redes sociais influenciam no comportamento das pessoas, como acontece na sociedade contemporânea.
Por outro lado, da mesma forma que os influenciadores digitais podem reforçar certos padrões de beleza e de consumo, eles também podem dar voz e representatividade às diversidades sociais. Assim, estilos de vida e visões de mundo diferentes daqueles disseminados pelos meios de comunicação de massa ganham espaço no mundo dos influenciadores digitais, como é o caso do veganismo, da negritude, do feminismo e de outros assuntos marginalizados pela grande mídia.
Logo, é importante que medidas sejam tomadas a fim de reduzir os impactos negativos causados pelos influenciadores digitais e potencializar os pontos positivos. Para isso, o Ministério da Educação deve ser responsável pela formação de indivíduos críticos e que saibam tomar as próprias decisões, por meio da promoção de debates e palestras acerca dos conteúdos consumidos na internet. O Ministério da Propaganda, em conjunto com o poder legislativo, por sua vez, deve estabelecer limites para o marketing realizado pelos influenciadores, por meio da criação de leis que limitem tal tipo de publicidade, de modo a impedir propagandas abusivas. Além disso, as empresas devem fazer parcerias com influenciadores representantes das minorias, com o objetivo de abrir espaço à representatividade e romper com os padrões sociais até então dominantes. Somente assim será possível garantir que os influenciadores digitais sejam uma influência positiva para a sociedade moderna.