O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 17/08/2020

Segundo o filósofo Marshall McLuhan, o homem transforma as tecnologias e, constantemente, por elas é modificado. Diante de tal reflexão, podemos perceber a modificação - citada pelo pensador - realizada por meios tecnológicos na vida dos indivíduos, principalmente dos jovens, quando analisamos a presença marcante na web dos influenciadores digitais - pessoas que trabalham em redes sociais compartilhando conteúdo e influenciando internautas. Tendo em vista o poder de atuação, maléfico ou benéfico, desses profissionais nas novas tecnologias, os impactos dos influenciadores digitais sob a vida da população juvenil devem ser apresentados e analisados criticamente pela sociedade.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a influência desse grupo na vivência do seu público mais novo gera consequências para a vida pessoal deles. A fim de entender isso, é pertinente o que diz a psiquiatra brasileira Ana Beatriz Barbosa, quando atesta que os jovens possuem uma base biopsicológica que pode ser influenciada facilmente, mudando seus comportamentos. A partir dessa ideia, percebe-se que, a depender do que o influenciador digital escolha compartilhar com os usuários - sejam propagandas de marcas com atuação social duvidosa, brincadeiras perigosas ao bem-estar humano ou livros e conhecimentos válidos -, os jovens - mais vulneráveis ao recebimento de informações, como disse Barbosa - podem desenvolver hábitos pessoais prejudiciais ao seu convívio familiar e com a comunidade, acometendo o próprio futuro deles.

Em segundo lugar, cabe salientar que a atuação dos indivíduos em questão impactam o funcionamento da sociedade. Nesse sentido, vale recorrer ao pensamento do filósofo Luc Ferry, o qual diz que, atualmente, não analisa-se corretamente as consequências sociais à longo prazo das tecnologias. Considerando isso, entende-se que é preciso fazer a análise proposta pelo pensador em relação aos impactos futuros do trabalho dos influenciadores poque que tal grupo influenciará uma nova geração de cidadãos, que, caso sejam profundamente modificados por essas tecnologias, mudarão, consequentemente, as estruturas sustentadoras da sociedade - de forma construtiva ou destrutiva, conforme seja o conteúdo mostrado por esses comunicadores aos jovens.

Por conseguinte, deve-se tomar medidas para o entendimento crítico da pauta. Para isso, cabe a participação da família - como importante agente participativo na vida dos mais novos - em promover o controle e a observação - respeitando limites de privacidade - do conteúdo produzido pelos influenciadores e consumido pelos jovens. Isso poder ser feito por meio de conversas e interações com as crianças e adolescentes, as quais compartilhem espontaneamente com os responsáveis o que acompanham na internet. Dessa forma, ter-se-á melhor conhecimento e controle dos impactos gerados.