O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 19/08/2020

Machado de Assis em seu conto “O espelho” relata através de Jacobino que o ser humano é composto de duas almas: interior e exterior, na qual uma delas exemplifica perfeitamente o contexto atual no qual estamos inseridos. Este é composto por influenciadores digitais que impactam diretamente na vida dos jovens positivamente e negativamente dependendo da maneira com que é vista e tratada.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que Machado, já no século passado, parecia prever a intensa onda de exposição e exibição que estava por vir. Ele dizia pois, no conto supracitado, que o ser humano possui duas almas, na qual a interior representa o ser como ele próprio e a exterior o ser da forma com que quer mostrar aos demais, o que reafirma a teoria de Emile Durkheim sobre o papel fundamental de coerção que a sociedade exerce sobre o indivíduo.

Desta forma, caso a teoria de ambos fosse atualizada, com certeza as palavras “digital influencers” estariam no topo da lista de fatores coercitivos. Tais pessoas portanto, utilizam de seus seguidores para a promoção de marcas, produtos e principalmente ideias, corroborando então o consumismo, o exibicionismo e diversas atitudes, o que de fato podem influir positivamente na formação de seus seguidores. Porém, o que é visto em maior frequência são jovens com atitudes inconsequentes e com transtornos psicológicos como depressão e ansiedade advindos da ideia de inferioridade perante aos influenciadores.

Sendo assim, é inegável o poder de indução destes criadores de conteúdo e a forma com que os seus seguidores priorizam a exposição de sua alma exterior. Visto isso, é necessário que os pais auxiliem e acompanhem a vida digital de seus filhos, verificando e intervindo nos conteúdos vistos por estes para que a influência venha de forma saudável e não por parte daqueles que estão interessados apenas em “likes”, fama e mimos, inertes de responsabilidade sobre os impactos na formação do outro.