O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 25/08/2020

Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, as decisões pessoais são tomadas pelo intelecto e influência de outro. Sob essa ótica, é perceptível como a ideia de “menoridade” apontada por Kant para caracterizar a sociedade se manifesta na contemporaneidade, uma vez que os influenciadores digitais utilizam o poder da persuasão e o investimento das empresas em seus posts para direcionarem os jovens brasileiros a um hábito de consumo supérfluo. Outrossim, alguns influencers expõem nas suas redes sociais comportamentos racistas e irresponsáveis, assim induzindo os seus seguidores a reproduzirem tais mediocridades.

Em primeiro plano, é relevante abordar que com o advento da 3ª Revolução Industrial, sem dúvidas, os meios digitais tornaram-se fontes para os estabelecimentos comerciais melhor alcançarem os consumidores. Prova disso é que, de acordo com o Instagram, em 2018 mais de 26 milhões de posts eram propagandas de influenciadores patrocinados pelas marcas. Nesse bojo, a exposição, por meio de blogueiros, de produtos concedidos pelas empresas é a maneira subconsciente e apelativa que o mercado encontrou para moldar os comportamentos e ações das pessoas sem que elas tenham consciência disso, as direcionando a um falso ideal de vida perfeita. Logo, é irrefutável que o Poder Público deve investir em uma educação para a criticidade, a fim de evitar a formação de jovens acríticos e condizentes com a perversidade do marketing de influência.

Ademais, vale ressaltar que determinadas práticas expostas por alguns influencers, infelizmente, impactam de maneira negativa na formação dos seus seguidores jovens, visto que estes veem aqueles como exemplo a ser seguido. Nesse sentido, atitudes como a da influenciadora Gabriela Pugliesi, ao promover uma festa na pandemia, e a do youtuber Júlio Cocielo, ao fazer um comentário racista sobre o jogador francês Mbappé reforçam a reprodução de condutas inadequadas e repudiantes no meio social, gerando uma juventude sem responsabilidade coletiva. Assim sendo, é imprescindível que o Ministério Público aja em consonância com a Constituição Federal de 1988, sobretudo, punindo tais indivíduos e, por conseguinte, esses modos nefastos serão coibidos.

Fica clara, dessa forma, a necessidade de um plano de ação intersetorial que atenue os impactos dos influenciadores na formação dos jovens brasileiros. Isso se dará a partir do Ministério da Educação, ao promover maiores investimentos na formação dos jovens, por meio de campanhas socioeducativas, as quais difundirão aos discentes a importância de usar as redes sociais - como o Facebook, Instagram e Youtube - criticamente, com o propósito de formar adolescentes prevenidos do bombardeamento digital. Com isso feito, o Brasil formará, de maneira digna, jovens que se libertarão daquilo que afirmou Kant