O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 31/08/2020

Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o homem é o produto do meio em que vive. Sob tal ótica, é possível afirmar que, ao integrar constantemente as redes sociais em sua vida, há um reflexo da internet em suas ações. Assim, os influenciadores digitais impactam a vida de quem os segue, seja pela disseminação de ideais de beleza e padrões estéticos ou pela indução à compra de produtos e marcas que os patrocinam.

A priori, a padronização estética disseminada pelos influenciadores é preocupante para a saúde mental e corporal dos indivíduos que os seguem. Na série “Gossip Girl”, que teve sua estreia em 2007, Blair Waldorf é uma adolescente que tem grande influência sobre as meninas da sua escola, em que ela dita, principalmente, a moda das estudantes, muitas vezes ocasionando grande pressão psicológica àquelas que não seguem o seu padrão. Tal fato atribui-se facilmente ao contexto atual, em que as pessoas que não se encaixam no padrão apresentado, inferiorizam-se, e buscam formas de se inserir no ideal de beleza, recorrendo a cirurgias estéticas desnecessárias ou dietas “milagrosas”, que mais fazem mal do que bem. Isso demonstra, portanto, a importância da exibição real da vida e da aparência dos influencers, visto que eles servem diretamente como modelo de vida à outras pessoas.

Além disso, outro aspecto a ser abordado é a indução à compra de produtos ou empresas fraudulentas. De acordo com uma matéria publicada pelo Direito News, em agosto de 2020, Virgínia Fonseca foi condenada a restituir o valor pago em uma compra realizada por uma seguidora, em uma loja indicada pela influencer, porque a mercadoria não foi entregue. Tal acontecimento não é um caso isolado e vem se tornando cada vez mais frequente, pois esses profissionais, na maioria das vezes, vêm negligenciando sua responsabilidade de recomendar apenas produtos e empresas aprovadas por eles mesmos, a fim de impedir que seus fãs sejam prejudicados. Assim, é possível entender e afirmar que o influenciador tem sim responsabilidades para com aqueles que consomem seu conteúdo.

Portanto, a má utilização da persuasão dos influenciadores digitais representa uma ameaça concreta, não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos, como a todos os cidadãos que, indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR), juntamente com o Poder Legislativo, deve regulamentar as publicidades feitas por influenciadores digitais por meio da fiscalização e, ainda, criar clausulas que responsabilizem esses profissionais sobre os produtos e empresas divulgadas por eles. Espera-se, com isso, que os influenciadores percebam a importância da sua responsabilidade civil e, ainda, cumpram com seus deveres, alterando positivamente os impactos do seu trabalho na formação dos jovens.