O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 01/09/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de estrutura educacional, quanto do consumismo. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é fulcral pontuar que a influência desses indivíduos na formação dos jovens deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Isso quer dizer que a educação é pilar indispensável na base de formação da sociedade, pois ela tem poder de trazer conhecimento e consciência necessária para evitar que os jovens sejam manipulados por influenciadores digitais. O papel da educação na sociedade não se limita a esfera educacional, mas também tem papel primordial na formação cidadã de cada indivíduo. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o consumismo como promotor do problema. Nessa lógica, os filósofos da Escola de Frankfurt, Adorno e Hockheiner, disseminaram a ideia de Indústria Cultural, que fazia uma crítica direta à influência dos grandes empresários e também da mídia na sociedade. Partindo desse pressuposto, o que os filósofos denunciavam era o uso das pessoas como massa de manobra resultando no que eles chamavam de alienação em massa, na qual todos os indivíduos têm os mesmos padrões de comportamento, gostos e desejos. Efetivamente, tal crítica se confirma no presente, visto que a persuasão exercida pelos “digitais influencers” é uma das consequências mais nocivas ao corpo social, principalmente, ao público juvenil. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o impacto da influência online, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação em parceria com empresas especializadas, implemente uma educação midiática, por meio de campanhas e palestras destinadas a faixa etária afetada. Dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.